
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Quais são os objetivos primordiais da Federação Portuguesa de Desportos Eletrónicos quanto às competições, aos atletas, além de capacitações e desenvolvimento de jogos junto a profissionais, para que o setor tenha relevância no país e internacionalmente?
A FPDE têm uma missão assente em quatro pilares: a) Assegurar o desenvolvimento do ecossistema de Esports em Portugal, garantindo que existem mais competições e de melhor qualidade, permitindo aos clubes serem sustentáveis, e aos atletas aumentar o seu nível competitivo. Isto contribuirá para uma melhor representação internacional através das seleções nacionais; b) Representar os clubes, atletas, árbitros e treinadores perante o Estado Português e garantir que os agentes desportivos em Portugal têm o devido enquadramento jurídico, fiscal e que protege a sua saúde; c) Educar os atletas sobre os benefícios de uma prática estruturada e mantendo um estilo de vida activo, os pais dos atletas sobre os desportos electrónicos e os seus benefícios, e promover junto da população em geral que os Esports são uma excelente forma de integração e interação cultural, e d) Promover Portugal como um destino de eleição para eventos internacionais de Esports, dado a sua localização geoestratégica favorável, e ímpar oferta de turismo desportivo.
Defina o que é gaming, desporto eletrônico (Esports), e jogos de fortuna, com suas respectivas diferenças.
Os Desportos Electrónicos são competições organizadas, estruturadas e regulamentadas de videojogos, individuais ou por equipas. Embora todas as competições de Desportos Electrónicos utilizem videojogos, elas não devem ser confundidas com jogar videojogos casualmente. Se estabelecermos um paralelo com a actividade da pesca, por exemplo, poder-se-ia dizer que pescar de forma lúdica, com amigos ou família, é equivalente a jogar videojogos de forma lúdica, com amigos ou família. Já se uma pessoa se inscrever num clube de pesca desportiva e participar numa competição, está a praticar um desporto (inclusivamente, desporto olimpico). Da mesma forma, uma pessoa que se inscreva num clube de Esports e compita numa competição de Esports, está a praticar um desporto. Jogos de fortuna/azar/apostas são um universo paralelo, que existe à volta de todos os desportos. Tal como noutros desportos, também existem jogos de apostas em competições de Esports.
Quanto às leis que regem estas modalidades em Portugal, podem ser equivalentes e unificadas?
Sou da opinião que os desportos electrónicos são um desporto, pelo que as apostas desportivas em competições de Desportos Electrónicos deviam ser idênticas às de qualquer outro desporto.
Sobre a necessidade de regulamentação das atividades desportivas eletrônicas no país, como estão sendo conduzidas questões como enquadramento jurídico, tanto a nivel desportivo, como fiscal e laboral?
Neste momento, estamos mais perto do que nunca de regular o sector em Portugal. As principais forças políticas já demonstraram vontade em legislar o segmento, conforme podemos ver pela apresentação de um Projecto de Lei na Assembleia da República no mesmo dia em que se realizou uma conferência parlamentar sobre o tema, com oradores de renome internacional a serem ouvidos. Ainda vai demorar até termos um reconhecimento total, mas iniciativas como o anuncio dos Olympic Esports Games já em 2025 ajudam imenso.
Atualmente, a nação lusa é um polo de atração no sector dos videojogos. Existem cerca de 80 estúdios de desenvolvimento de videojogos em Portugal e o número de jogadores em território nacional chegará a 3,24 milhões até 2027. O que esses números significam para a indústria e quais são os pontos cruciais a serem levados em conta neste sentido?
Esses números demonstram a necessidade de educar a população em geral, e proteger os atletas, potenciando ainda os atletas de alta performance (seleções nacionais). Ou seja, pontos cruciais são os quatro pilares anteriormente mencionados: a) mais e melhores competições, b) enquadramento jurídico apropriado que fomente a sustentabilidade financeira dos clubes e atletas, incluindo seguros de atletas e foco na promoção da saúde, c) muito trabalho de base na educação, e d) promoção turística de Portugal. As nossas expectativas são de conseguir reconhecimento total nos próximos doze meses.
Quais os projetos e parcerias futuras da FPDE que pode nos revelar?
O foco este ano é no reconhecimento por parte do Governo, sendo que também nos queremos focar já nos Jogos Olímpicos de Esports de 2025. Além disso, lançámos já o nosso programa de educação de gaming responsável, as certificações de treinadores e árbitros e vamos apresentar um programa para educação na terceira idade. A nível competitivo, depois do sucesso do circuito da Taça de Portugal, vem o Campeonato Nacional de Esports, e a participação nos Mundiais da IESF e GEF.







