
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
A indústria dos jogos tornou-se um importante contribuinte para a economia de Portugal, gerando receitas fiscais, oportunidades de emprego e apoiando as comunidades locais através de várias iniciativas de responsabilidade social corporativa. Poderia dar uma estatística deste impacto socioeconômico para crescimento na economia do país?
O setor de jogos e apostas em Portugal tem desempenhado um papel cada vez mais importante na economia, impulsionado principalmente pelo avance das apostas online. Em 2023, as receitas fiscais geradas pelo setor ultrapassaram os vários milhões de euros, refletindo sua relevância para os cofres públicos. Além disso, a indústria tem contribuído significativamente para a criação de empregos, com milhares de postos diretos e indiretos em áreas como tecnologia, atendimento ao cliente e marketing, entre outros. As entidades exploradoras têm também assumido um papel de destaque nas iniciativas de responsabilidade social. Com o aumento da conscientização sobre os impactos do jogo, estão investindo em programas de inclusão social, educação e práticas de jogo responsável. Iniciativas como apoio a comunidades locais e campanhas de prevenção ao jogo problemático devem ser mais comuns, demonstrando que o setor não só contribui para a economia, mas também se preocupa em mitigar possíveis efeitos negativos. Por outro lado, foi há pouco tempo anunciado um concurso para novos inspetores por parte do SRIJ o que demonstra bem a importância dada ao setor.
Como vê o caso da regulamentação das bets no Brasil quanto aos aspectos legais? Poderia traçar um comparativo com o processo regulatório de Portugal?
O Brasil está num momento decisivo em relação à regulamentação dos jogos e as notícias são animadoras, visto que pugnamos sempre por mercados regulados. Penso que o plano governamental leva em conta aspectos essenciais: proteção do consumidor, integridade esportiva e combate à lavagem de dinheiro, porém ainda há incertezas e discussões sobre aspectos operacionais. Por outro lado, parece-me, ‘à vista desarmada’, que o valor que parece vir a ser pedido pela licença, R$ 30 milhões (US$ 6,1 milhões), por operadora durante três anos pode ser excessivo. Ao invés de fomentar que as inúmeras operadoras vão para o mercado regulado, podemos estar a criar um mercado para quem tem capacidade financeira e outro que será necessariamente o mercado ilegal. Em Portugal, a regulamentação das apostas online ocorreu de forma bastante estruturada com Regime Jurídico dos Jogos e Apostas Online, que entrou em vigor em 2015. O regime português é frequentemente visto como uma referência devido à clareza nas regras, à criação de um órgão regulador (SRIJ) e à implementação de mecanismos que garantem a segurança jurídica, tanto para operadoras quanto para consumidores. Comparativamente, o Brasil ainda está na fase inicial de criação desse arcabouço, enquanto Portugal já conta com um mercado estabilizado e regulamentado. No entanto, acho que está na altura de se iniciar um processo de revisão do Regime em diversos aspectos, seja o tema da taxação, sejam também outras questões que podem ser melhoradas.
Que tendências você está considerando no setor?
Como tendências atuais, poderia mencionar o uso crescente de inteligência artificial para melhorar a experiência do jogador e monitorar comportamentos de risco, além da integração de blockchain para maior segurança e transparência nas transações. Também estão as práticas de jogo responsável, com foco na sustentabilidade, alinhadas aos critérios ESG (Environmental, Social, and Governance). Esses temas refletem as inovações que estão moldando o futuro do setor de apostas e jogos.
Com relação às iniciativas de jogo responsável, há algum aspecto que deveria ser melhorado ou implementado para promover um jogo mais saudável?
Embora as iniciativas de jogo responsável tenham avançado significativamente, ainda há oportunidades de melhoria, principalmente na personalização das ferramentas de auto exclusão e no monitoramento de comportamentos de risco. A adoção de uma abordagem preditiva, utilizando análise de dados em tempo real, permitiria a identificação precoce de comportamentos problemáticos. Além disso, as empresas deveriam investir mais em campanhas educativas que alcancem jogadores ocasionais, que muitas vezes desconhecem as ferramentas disponíveis. A utilização de tecnologias como inteligência artificial para monitorar e enviar alertas personalizados também seria um grande passo para promover um ambiente de jogo saudável e seguro. Um exemplo recente desse esforço de modernização é o novo aplicativo da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, anunciado há poucos dias, que inclui QR codes para simplificar o acesso e atualizar o sistema de apostas, atraindo novos públicos e aumentando a segurança e a experiência do usuário. Movimentos como este demonstram que a inovação e a tecnologia podem caminhar lado a lado com a responsabilidade social no setor de jogos.
Você poderia descrever como sua empresa participou do evento SBC Lisboa e os projetos futuros diante de novos mercados?
Participamos ativamente nos três dias do evento, contribuindo em diversos painéis graças à nossa estreita colaboração com a International Masters of Gaming Law. Para nós, este evento representa sobretudo uma excelente oportunidade de expansão. Em relação aos projetos futuros, estamos focados em explorar novos mercados regulados, com especial atenção para a América Latina, onde o setor de apostas está em franco crescimento. Estamos a investir em parcerias estratégicas que nos permitem adaptar os nossos serviços e soluções às necessidades e realidades locais desses mercados emergentes. Continuamos a manter o nosso compromisso com a inovação e o jogo responsável, garantindo que os nossos clientes sejam servidos com parâmetros de excelência. Esse foco nos permite não só expandir, mas também fortalecer a nossa posição como players destacados na indústria.







