
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
O Casino Azores é uma referência de qualidade e reconhecimento como espaço de jogos e apostas físicas em Portugal. Como é ser CEO desta importante operadora e como você avalia e toma as decisões de gestão da empresa?
Costumo dizer que não há negócios fáceis, o que em Portugal, um país pequeno e com uma economia frágil, se torna ainda mais verdade. Ora, não existindo negócios fáceis, também não o são as posições de CEO. Ser CEO de um Casino em Portugal, nos Açores, uma pequena região do país, ultra-periférica, fragmentada em nove ilhas, com um rendimento per capita em 10% inferior à média nacional, é, por isso, uma tarefa exigente, um exercício de criatividade e adaptação constante. Assim, apesar de termos um plano estratégico de longo prazo, orçamentos e planos de atividade anuais, a tomada de decisões está sempre condicionada às circunstâncias, à envolvente política, económica, legal e social. Sobreviver a dois anos de pandemia marcados por encerramentos ou operação parcial e condicionada, numa fase de arranque da empresa, só foi possível porque os accionistas se dispuseram a sacrificar os seus rendimentos em prol do projecto, e porque se adoptou uma política de gestão espartana e rigorosa. Agora, os desafios na gestão mantêm-se, primeiramente porque o sector de actividade sofreu danos que me parecem irreparáveis, pelo menos sem que haja alterações na regulamentação e tratamento fiscal do mesmo, e, por outro lado, porque a pandemia deixou marcas na forma como o ser humano se comporta, em todas as vertentes da sua actuação. A tomada de decisão é balizada pelas ferramentas de orientação da actividade, os planos e orçamento, mas feita com a criatividade que os tempos actuais exigem e tendo por base uma constante leitura e adaptação ao mercado e às circunstâncias.
Quais as políticas quanto à publicidade e as medidas de jogo responsável que as operadoras de casinos devem cumprir em Portugal?
O tema da publicidade das operadoras de jogo tem subjacente uma questão mais profunda: a ética nos negócios. Existe, em Portugal, regulamentação para a publicidade das operadoras de jogo. A publicidade de jogos e apostas deve ser efetuada de forma socialmente responsável, respeitando e protegendo menores de idade e outros grupos vulneráveis e de risco, privilegiando o aspeto lúdico da atividade dos jogos e apostas e não menosprezando os não jogadores, não apelando a aspetos que se prendam com a obtenção fácil de um ganho, não sugerindo sucesso, êxito social ou especiais aptidões por efeito do jogo, nem encorajando práticas excessivas de jogo ou aposta. Remetendo-me para o nosso caso, não obstante precisarmos de realizar receitas, como é óbvio, porque das mesmas depende a nossa sobrevivência como empresa, em momento algum abdicamos da ética e do papel construtivo que nos propomos a desempenhar na sociedade em que nos integramos, e esta postura reflecte-se em toda a nossa publicidade, comunicação e actuação em geral.
Os casinos físicos podem vir a ser extintos futuramente, face à opção dos casinos online? Identifica alguma tendência no sector?
Os casinos físicos oferecem entretenimento e cultura aos portugueses e constituem importantes produtos turísticos das regiões onde estão implantados, isto para não falar no emprego e rendimentos que geram para as famílias que directa ou indirectamente dependem dos mesmos. Não deveriam, assim, ser conduzidos à extinção. A tendência a que se tem assistido, de perda de quota de mercado, para o jogo online e para os jogos ditos ‘sociais’ e de perda de receita líquida real, é preocupante. Sou uma optimista. Acredito que esta tendência fará ‘soar os alarmes’ e despoletará as necessárias reacções ao nível da regulamentação e política fiscal que incide sobre os casinos territoriais. A sobrevivência das salas de jogos dependerá de uma maior liberdade para adaptação ao mundo actual e do alívio da carga fiscal, obrigações e burocracia que sobre as mesmas incide.
Qual a importância das reuniões exclusivas como o G&M Eventos Portugal (celebrado em março deste ano) serem realizadas, permitindo o intercâmbio e o networking entre os participantes?
Na minha perspectiva, podem ser muito importantes. Aquilo a que se tem assistido nas sociedades nas últimas décadas, um crescente culto do individualismo, tem, de certa forma, acontecido em alguns sectores empresariais. Na minha perspectiva, no sector do jogo em Portugal, falta união, associativismo, uma troca franca e construtiva de informação, ideias e soluções. Estes eventos promovidos pela G&M News poderão contribuir para uma reversão desta situação, para que se consiga mobilizar as operadoras para a discussão em torno dos problemas que afectam o sector e para a construção colectiva de soluções. Lanço o repto de, nos próximos eventos, serem previamente identificados temas de reflexão e discussão. Da reflexão colectiva e da troca de ideias poderão resultar importantes progressos no sector.
Quais as principais metas do Romanti Casino Azores para os próximos anos?
A Romanti Casino Azores tem como missão o desenvolvimento sustentável de negócios na área do entretenimento, com actividade nos jogos de fortuna e azar, na cultura e em serviços complementares, respeitando a envolvente socio-económica e oferecendo valor aos seus clientes, colaboradores, fornecedores, parceiros e comunidade em geral. Perseguir a sua missão, sempre regida e motivada pelos valores da Integridade, Sustentabilidade e Transparência, é o objectivo da empresa, em cada dia da sua actividade. É claro que, subjacente à sua Missão, existem metas. A nossa próxima meta é a de retomar o volume de receitas líquidas que nos permita investir nas novas instalações, projectadas desde 2019, um plano que teve de ser adiado devido à pandemia COVID-19. Esperamos que possamos fazer isso acontecer em um futuro próximo.







