
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Como o Grêmio avalia e quais os critérios para aliar-se a uma parceria e patrocínio, divulgando uma marca junto ao time?
O processo de prospecção de parceiros e patrocinadores é baseado em vários fatores, mas o principal é o estudo do mercado. Procuro entender diariamente quais são os movimentos das marcas e onde temos oportunidade, respeitando obviamente os segmentos em que já temos aliados. Também há uma prospecção direcionada por demanda onde os profissionais do clube (e mérito a eles por terem uma visão colaborativa) compartilham suas necessidades e então focamos esforços em outros modelos como permutas, por exemplo. Costumo dizer que esse trabalho é multidisciplinar. Ninguém faz nada sozinho na nossa profissão. Nosso produto é visibilidade, experiência, relacionamento. Há muita gente envolvida para que o resultado seja positivo para todos, e é uma preocupação para que essas relações sejam longevas e bem-sucedidas. O clube tem um histórico muito interessante nesse tópico. Além de novos parceiros, há muitos contratos antigos que se renovam e apenas adequa ao cenário posto. Como uma instituição centenária, com projeção e alcance mundial, temos uma missão importante: proteger o clube de potenciais problemas com vínculos inadequados. Sou uma torcedora, sócia, assim como milhões de pessoas com um sentimento que já vem da infância de proteger o clube, sua cultura e seus valores. Estando profissional do tricolor, uma premissa inegociável para mim sempre foi esse alinhamento entre instituição e a marca que vamos iniciar relação.
Qual seria sua visão de mercado dos patrocínios de clubes brasileiros?
Ao longo dos anos, o mercado mudou. O marketing esportivo que iniciou com as marcas nos uniformes hoje é um pouco diferente. A tecnologia potencializou muito o trabalho do marketing. Nos propiciou abrir um novo leque de produtos. Hoje, conhecemos nosso público; a visibilidade está em outro nível. Vejo como oportunidade construir algo personalizado a cada parceiro. Todos os dias falo com profissionais de segmentos diferentes, com distintos anseios, necessidades e disponibilidade financeira. Não cabe mais ofertar um ‘cardápio pronto’. É preciso ter um entendimento e construir junto. Se fala muito em experiência, conexão e relacionamento. São caminhos importantes, mas não podemos desvincular da última linha do DRE da marca. É necessário emocionar, conectar e impactar, mas também é imprescindível vender (lucrar). Ainda sobre os desafios do patrocínio no Brasil, com o advento das SAFs, essa área se torna ainda mais vital aos clubes associativos. É uma das fontes de receita mais importantes, além do acordo em si. Nesse cenário, o patrocinador/parceiro pode ser um aliado no crescimento do número de sócios, que também é um tópico relevante em receita e o patrocínio pode ter uma interferência direta positiva. O quadro social é um ativo ganha-ganha.
O clube tem forte atuação na valorização do futebol feminino como o time Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense (Gurias Gremistas). Quais os diferenciais que o Grêmio estabelece comparado com equipes femininas de outros times?
É fato que globalmente o futebol feminino não tem a mesma valorização que o futebol masculino, mas obteve avanços importantes nos últimos dois anos. Alcançamos transações de atletas com cifras que até então não tínhamos. Ainda não é o ideal, mas melhoramos muito a estrutura e condições da categoria. Em termos de patrocínio, há dois caminhos: marcas que se relacionam com o clube todo (todas as categorias) e marcas que pretendem falar com o público engajado com o futebol feminino. Vejo o mercado testando, experimentando e obtendo bons resultados, além da causa. As marcas já olham para essa categoria com anseios maiores. Eventos globais (Olimpíadas e Copa do Mundo de Futebol) ajudaram a potencializar os resultados e aproximar o público. Temos clubes mais estruturados com mais injeção de verba e um foco maior na categoria. No geral, o Brasil tem crescido de forma padronizada em seus acordos específicos para o feminino. Há novos horizontes e bons ventos.
Conte um pouco das ações sociais do clube, seu alcance e sua dinâmica.
O Grêmio tem um Departamento de Responsabilidade Social que faz um trabalho impecável em várias frentes. Neste ano, em específico, com a maior catástrofe climática da história assolando nosso estado, o DRS se desdobrou entre acolher, doar e proteger pessoas em vulnerabilidade. Além deste departamento, temos o Instituto Geração Tricolor (https://gremio.net/igt) que há 14 anos transforma as vidas da comunidade que abraçou nossa arena. São trabalhos voltados à educação, cultura e esporte, realizados diariamente, ofertando o serviço de convivência e fortalecimento de vínculos para crianças e adolescentes de 6 até 18 anos em situação de vulnerabilidade social. O objetivo deste atendimento é promover um espaço de proteção, reconhecimento e promoção de meios ao desenvolvimento das potencialidades individuais e coletivas, visando a garantia de direitos e a construção da cidadania. Institucionalmente, há também um departamento chamado “Clube de todos”, que há anos atua no combate à intolerância e à discriminação, encabeçando ações antirracistas e contribuindo para outras causas. Esses departamentos são motivos de muito orgulho ao clube. Nessas ações cumprimos uma missão importante: devolver à sociedade mais do que alegria no campo, mas impacto social e o cumprimento de valores estabelecidos desde 1903 até hoje.







