
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Quais são os objetivos primordiais e o trabalho da sua Associação?
Fundada em 1976, a ASSESPRO-RJ é a principal associação de empresas de tecnologia, inovação e empreendedorismo do Brasil. Há três anos, criou a Vice-Presidência de Games e Esports com o objetivo de desenvolver os Esports e a cultura gamer no estado do Rio de Janeiro, abrangendo os 92 municípios com eventos de jogos eletrônicos. Em 2023, foi instituído o Conselho dos Municípios Games. A ideia era dar suporte na criação de leis e incentivos para os municípios, incluindo não apenas os profissionais realizando feiras e eventos de games, mas também prefeitos, vereadores, secretários municipais de esporte, cultura e desenvolvimento econômico, além de deputados estaduais e o Governo do Estado, que apoia os esportes eletrônicos no Rio de Janeiro. A proposta da ASSESPRO-RJ é reter os jovens talentos do mercado de games no estado do Rio de Janeiro, discutindo, dialogando e desenvolvendo eventos para gerar mais empregos, evitando que esses talentos migrem para outros estados e países em busca de oportunidades no universo dos games. Destaca-se no município do Rio de Janeiro a atuação da Câmara Municipal, que vem aprovando leis para o reconhecimento, fomento e integração com a saúde e bem-estar na prática dos esportes eletrônicos na rede de ensino municipal. No âmbito Estadual, as boas práticas são importantes nas políticas públicas: a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer, em parceria com a Federação do Estado do Rio de Janeiro de Esportes Eletrônicos (FERJEE), promoveu conferências de Esports nas cidades do Rio de Janeiro, Itaguaí, Piraí, Japeri, Mesquita e Nova Iguaçu. Houve também grandes eventos, como o Maricá Games e o MiraGame XP.
A indústria dos games é um universo em constante evolução e crescimento. Diante disso, como você definiria o mercado de games atual no Brasil, comparado com o cenário de anos atrás?
O Brasil conta com mais de 100 milhões de gamers, consumidores que estão cada vez mais presentes nos jogos, seja no celular, computador ou consoles. O país está entre os 10 maiores mercados de games do mundo, o que nos faz refletir sobre a importância de olhar de forma especial para esse setor. O Marco Legal dos Games, ou Lei nº 14.852/24, sancionado pelo presidente Lula no dia 3 de maio de 2024, trouxe grandes oportunidades para os criadores de jogos e estúdios brasileiros, abrindo caminho para a profissionalização do mercado. Um dos maiores desafios é fomentar o consumo de jogos produzidos no Brasil. Para isso, é fundamental a colaboração do poder público, mercado, universidades e demais instituições para impulsionar a indústria de esportes eletrônicos no país. A primeira Arena Gamer Pública, inaugurada no município do Rio de Janeiro em janeiro de 2024, é um exemplo dessa iniciativa, que beneficia pequenos estúdios e eventos de gamer local. O planejamento estratégico é essencial para desenvolver o mercado consumidor de jogos nacionais, gerando empregos e impactando positivamente toda a cadeia produtiva.
Com o incremento do número das bets no Brasil, há uma crescente preocupação acerca da manipulação de resultados. Recentemente, a ASSESPRO lançou uma cartilha chamada ‘Combate à manipulação de resultados nos esportes eletrônicos’. Como o setor de games encara estas ameaças e em que consiste a abrangência desta cartilha?
Tenho acompanhado o mercado de apostas fixas há mais de quatro anos, participando de eventos no Rio de Janeiro e em Recife, e percebo a necessidade da segurança jurídica e profissionalização no combate à manipulação de resultados. Com mais de 84% das apostas realizadas no futebol e apenas 6,2% no esporte eletrônico, há o receio de que quadrilhas organizadas migrem para manipular os resultados nesses novos cenários. A intenção da cartilha é alertar os atletas de esporte eletrônico sobre essa ameaça, visando preservar a reputação da competitividade e da integridade do esporte. Todos os envolvidos, incluindo atletas, equipes, organizadores e donos de clubes, devem ficar atentos e buscar na cartilha entender a necessidade do esporte responsável. É importante denunciar qualquer atitude e tentativa de manipulação de resultados às autoridades competentes, como o Ministério do Esporte, para combater essa ameaça de forma eficaz. A Cartilha do Esport Responsável é fruto do trabalho conjunto de consultores das áreas de apostas, esporte, cultura digital e inovação e dos esportes eletrônicos: Dr. Amilton Noble, Dra. Carla Vicente, Dra. Luciana Nunes, Luiz Costa GamerXP Arena, Dr. Paulo Schmitt, Maureen Flores, PhD, e Renato D’Avila. Devemos também adicionar o apoio institucional da Associação Brasileira de Fantasy Sport, ASSESPRO-RJ, FERJEE e Instituto Peck de Cidadania Digital.
Desde 2022, a entidade promove a Assespro Business Games, interligando as diversas comunidades de games e Esports. Conte um pouco como funciona este evento, os diferentes públicos que abarca e os resultados obtidos nesta dinâmica.
A quarta edição do Assespro Business Games está marcada para maio de 2025 e tem como objetivo apresentar e discutir as iniciativas bem-sucedidas do Rio de Janeiro no mercado de jogos eletrônicos. O evento aborda a cultura gamer, os criadores de jogos, os profissionais de esportes eletrônicos, além de promover discussões com o poder público, universidades e o terceiro setor envolvido com games e esportes eletrônicos. A ASSESPRO-RJ busca promover o diálogo entre os diversos atores envolvidos, valorizando talentos e experiências locais. Projetos sociais como Afrogames, Diversigames, Game Park da Rocinha e GameCraft da FERJEE são destacados por seus resultados positivos no desenvolvimento de jogos em comunidades cariocas. A colaboração entre os setores é essencial para impulsionar a inovação no desenvolvimento de jogos no estado do Rio de Janeiro. A proposta é manter o modelo de falar, discutir, apresentar pesquisas e soluções para fortalecer a economia criativa dos games e esportes eletrônicos no estado.
Quais as suas futuras perspectivas para o setor regulamentado de games?
A Lei 14.790 de 2023 trouxe impactos significativos para os esportes eletrônicos, o que resultou na criação da Diretoria de Esport no Ministério do Esporte, especificamente na Secretaria Nacional de Apostas Esportivas e de Desenvolvimento Econômico do Esporte em julho de 2024. Essa diretoria foi estabelecida com o objetivo de fomentar e desenvolver o esporte eletrônico em nível nacional. Recentemente, em 30 de dezembro de 2024, uma nova Portaria n° 125 foi editada. Ela regulamenta as modalidades esportivas e entidades de prática esportiva que podem ser objeto de apostas de quota fixa, contudo apenas os esportes eletrônicos reconhecidos pelo Comitê Olímpico Internacional serão objetos de apostas. Devemos lembrar que, em 2025, está prevista a realização dos Jogos Olímpicos dos Esports, anunciada pelo COI. É crucial valorizar a integridade dos esportes e a prevenção à manipulação de resultados nesse contexto, especialmente com a possibilidade de apostas envolvidas. Também, é necessário promover debates sobre integridade e combate à manipulação, além de criar um planejamento nacional para o setor. Temos que definir como fomentar os esportes eletrônicos em todo o país, incluindo a criação de campeonatos escolares e universitários seguros. Os campeonatos profissionais devem ser estruturados de acordo com a nova Portaria n° 125, que permiti apostas apenas em eventos profissionais e garante a integridade e a transparência. A Lei das Bets teve um grande impacto na administração do esporte eletrônico e representa um marco para o seu desenvolvimento no Brasil a partir deste ano 2025.







