
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Como a empresa se posicionará em termos de estratégias diante dos concorrentes, novas políticas que poderiam incidir na dinâmica dos jogos oferecido, além da comunicação e engajamento junto aos seus usuários?
O fato de o Rei do Pitaco estar entre as 14 operadoras que obtiveram licença definitiva do Ministério da Fazenda é um marco importante para nós, pois mostra o nosso comprometimento em atuar de forma transparente e seguir todas as regras impostas no Brasil. A licença define também o início de um momento bastante desafiador, diante de um mercado muito concorrido e com empresas dispostas a aportar muitos recursos na operação local. Apesar disso, o Rei do Pitaco segue confiante: oferece um produto diferenciado, pensado exclusivamente para o público brasileiro, sempre preocupado com seu cliente. A empresa investirá em comunicação, mas acredita que a melhor forma de divulgação são seus próprios clientes, referendando e recomendando o Rei do Pitaco para seus amigos e conhecidos. Nosso principal foco é o bem-estar do cliente, o que é encarado como algo inegociável, sendo a transparência a chave para se alcançar isso. É hora de conscientizar a população de que o jogo só é bom, se jogado com moderação e para fins de diversão.
Agora, com a regulação do mercado, você acredita que haverá um incremento de fusões e aquisições a fim de estabelecer relacionamentos visando a entrada no mercado? Quais fatores poderiam impulsionar essas decisões das bets internacionais junto às empresas no Brasil? A sua firma pretende vincular-se a operadoras do exterior?
Mercados mais maduros como o europeu e o norte americano mostram que, no longo prazo, existe uma tendência de consolidação de operadoras. Não imagino o Brasil tendo uma consolidação tão forte como acontece nos Estados Unidos, onde basicamente dois empresas (FanDuel e DraftKings) detêm aproximadamente 75% de market share, mas acredito que o mercado nacional deve ser dominado por cerca de dez empresas daqui a 5, 10 anos. O movimento de aquisições foi iniciado com a Flutter adquirindo o controle da Betnacional em 2024 e, a meu ver, essa tendência deve seguir com mais intensidade de 2025 em diante. Operadoras estrangeiras veem o potencial do mercado brasileiro e vão precisar de suporte e know-how local. As grandes bets internacionais têm claro para si que o modelo de negócio que funciona no Reino Unido, na Dinamarca ou nos Estados Unidos pode não funcionar aqui. Se as singularidades do mercado local não forem consideradas, o risco de insucesso do negócio é muito grande. Por ser uma empresa 100% nacional e que foca exclusivamente no mercado brasileiro, o Rei do Pitaco sabe que pode atrair o interesse de parceiros estratégicos dispostos a ingressar no Brasil, mas hoje a empresa tem um plano claro e bem definido de negócio, com o suporte de grandes fundos estrangeiros, que o fazem traçar seu caminho de forma independente.
Qual a importância de uma carga fiscal equilibrada na viabilização do mercado de apostas no país, especificamente na parte tributária?
Para qualquer negócio, a carga fiscal é decisiva, e no mercado de apostas brasileiro não é diferente. É importante que o setor seja tributado de acordo com a sua capacidade contributiva, deixando sua contrapartida para o país, mas também a tributação não pode ser excessiva, a ponto de asfixiar os empresários. Países como França e Portugal, que impuseram cargas fiscais muito altas para as operadoras de apostas, viram em alguns anos um êxodo das operadoras reguladas e um crescimento vertiginoso do mercado paralelo. A carga fiscal desenhada pelas Leis 13.756/18 é 14.790/23 mostrou-se bastante equilibrada, e dentro de patamares encontrados em mercados tidos como referência, como é o caso do Reino Unido. Porém, diante da reforma tributária que se encontra em curso no país, as operadoras de apostas esportivas estão apreensivas. A extinção de tributos como o PIS, a COFINS e o ISS, com a sua substituição pela CBS e o IBS, deve fazer com que a tributação sobre a receita das empresas aumente em cerca de 16,25%, sem falar no Imposto Seletivo, recém aprovado pelo Congresso Nacional, ainda sem base de cálculo e alíquota definidas. Se o Legislativo não tomar cuidado, um mercado promissor, como é o de apostas no Brasil, que já desponta com o potencial de figurar entre os três maiores do mundo, pode naufragar em poucos anos, como se viu na França e em Portugal.
Poderia traçar uma análise e prováveis tendências para os primeiros meses de apostas esportivas regulamentadas agora em 2025 no Brasil?
Os primeiros meses serão tempos de muito diálogo e trocas de informação entre operadoras e o regulador. Serão momentos de adaptação. Muitas questões práticas já têm surgido e têm demandado uma constante interlocução do Governo com as empresas licenciadas. Também, as operadoras vão ser fiscalizadas de perto pelo regulador, pois o sucesso do mercado brasileiro está muito atrelado a como as plataformas licenciadas e o regulador conseguirão mudar a percepção do grande público sobre a indústria. Foram anos em que as empresas atuaram no mercado brasileiro sem que houvesse regras, o que permitiu que más operadoras criassem um caos no Brasil, gerando uma imagem muito negativa do setor de apostas. Por isso, devemos esperar o rigor do regulador como sendo um traço marcante deste início de mercado regulado.







