
Por Leticia Navarro, jornalistas da G&M News.
A Oddsgate se uniu à Associação Nacional de Jogos e Loterias, marcando um importante passo dentro do mercado regulado de iGaming do Brasil. Conte como foram as etapas até a concretização desta aliança e o que representa para a empresa.
A união com a ANJL representa o coroamento de um processo estratégico que iniciamos há mais de um ano, quando começamos a estruturar nossa entrada oficial no mercado brasileiro. As etapas foram meticulosamente planejadas: primeiro, estabelecemos nossa presença física no país com CNPJ brasileiro, depois investimos na certificação de nossa tecnologia para atender às exigências regulatórias nacionais, e simultaneamente iniciamos diálogos com as principais entidades do setor. Para a Oddsgate, esta parceria transcende uma simples filiação associativa. A ANJL hoje reúne 27 empresas que representam aproximadamente 50 marcas do setor, constituindo-se no principal interlocutor do mercado regulado com o Governo e órgãos reguladores. Estar entre essas empresas nos posiciona como um player comprometido com as melhores práticas e com a consolidação sustentável do mercado brasileiro. Sabemos da responsabilidade acrescida por ser a primeira e única empresa desenvolvedora de sistemas (plataformas) presente nesta Associação. O alcance desta união é estratégico em múltiplas dimensões. Primeiro, nos permite contribuir ativamente para a formulação de políticas públicas que impactem o setor, trazendo nossa experiência de mais de 15 anos em mercados regulados europeus. Segundo, fortalece nossa credibilidade junto as operadoras brasileiras, que buscam parceiros tecnológicos não apenas competentes, mas também alinhados com os princípios de jogo responsável e transparência regulatória. Por fim, amplia nossa capacidade de antecipação de tendências regulatórias, incorporando de forma ágil as exigências setoriais em nossos produtos.
Em novembro, completará um ano da abertura da companhia em São Paulo, com CNPJ brasileiro como grupo. Além disso, Oddsgate foi premiada há alguns meses como “Brazilian Market Breakthrough 2025” no SiGMA World. Qual a retrospectiva que você faz neste período?
Este primeiro ano no Brasil confirma nossa tese de que timing e preparação são fundamentais para o sucesso em mercados emergentes. Chegamos ao país em 2022 não como aventureiros, mas como uma empresa que já havia consolidado sua reputação em jurisdições altamente reguladas, trazendo expertise comprovada em compliance, KYC e a dimensionar operações do zero até a regulamentação efetiva. O prêmio “Brazilian Market Breakthrough 2025” no SiGMA World é particularmente significativo porque reconhece não apenas nossa entrada no mercado, mas nossa capacidade de adaptação e inovação em um ambiente regulatório em construção. Este reconhecimento internacional valida nossa estratégia de transpor soluções europeias para o Brasil, e de desenvolver produtos genuinamente adaptados às especificidades locais. A retrospectiva revela três conquistas principais: primeiro, conseguimos estabelecer parcerias com sete operadoras que confiaram em nossa tecnologia para navegar a transição regulatória; segundo, obtivemos todas as certificações necessárias (ISO e GLI) para operar no mercado regulado brasileiro; terceiro, construímos uma operação local robusta que nos permite oferecer suporte em português e entender as nuances culturais do mercado. O momento da regulamentação brasileira nos encontrou preparados. Enquanto muitas empresas ainda se adaptavam às novas exigências da Lei 14.790/2023, nossa plataforma já incorporava os requisitos de compliance, segurança de dados e integridade operacional que o mercado regulado demanda.
Para obter o êxito e crescimento que tem colhido no Brasil, qual foi a adaptação mais específica e essencial que a empresa teve que realizar?
A adaptação mais crítica foi compreender que o mercado brasileiro não demandava apenas excelência tecnológica, mas uma combinação de robustez técnica com agilidade regulatória e sensibilidade cultural. Desenvolvemos três pilares adaptativos essenciais. Primeiro, criamos uma arquitetura de compliance ‘Brazil-first’. Isso significou redesenhar nossos sistemas de verificação de identidade com excelentes parceiros, monitoramento de transações e relatórios regulatórios para atender não apenas à Lei 14.790/2023, mas também à LGPD e às especificidades da Secretaria de Prêmios e Apostas. Implementamos mais de 20 métodos de pagamento (PSP), incluindo PIX e outras soluções locais, com total aderência aos protocolos de prevenção à lavagem de dinheiro. Segundo, desenvolvemos uma capacidade de ‘time-to-market’ diferenciada. O mercado brasileiro é dinâmico e as janelas de oportunidade são estreitas. Nossa plataforma permite que operadoras sejam lançadas em até 30 dias, uma vantagem competitiva essencial quando licenças são aprovadas e é preciso estar operacional rapidamente. Terceiro, e talvez mais importante, investimos em educação de mercado. Muitas operadoras brasileiras estavam enfrentando sua primeira experiência com regulamentação rigorosa. Posicionamos a Oddsgate como fornecedor de tecnologia e como consultor estratégico, compartilhando conhecimento sobre melhores práticas regulatórias que aprendemos em outros mercados. Esta abordagem holística nos diferenciou de concorrentes que ofereciam apenas soluções técnicas, posicionando-nos como parceiros de transformação para operadoras que buscavam crescimento sustentável no novo ambiente regulado.
Quais são os próximos passos da firma no Brasil? Existe um comparativo das metas da empresa no mercado português com o brasileiro?
Nossos próximos passos no Brasil são ambiciosos e refletem nossa confiança no potencial do mercado. Além de irmos anunciar nossa primeira aquisição nos próximos meses, vamos anunciar na SBC de Lisboa uma grande fusão que irá sem dúvida agitar o mercado brasileiro. Esta nova parceria nos permitirá implementar um plano de investimento significativo em três frentes: expansão de nossa equipe local em São Paulo, desenvolvimento de novos produtos específicos para o mercado brasileiro e amplificação de nossa capacidade de suporte e treinamento. Não procuramos novos parceiros, mas prevemos triplicar o Gross Gaming Revenue da nossa base de clientes brasileiros nos próximos 18 meses, o que representa não apenas crescimento quantitativo, mas qualitativo. Estamos desenvolvendo funcionalidades para modalidades esportivas populares no Brasil e implementando ferramentas avançadas de business intelligence adaptadas ao comportamento do apostador brasileiro. Quanto ao comparativo com Portugal, as escalas e potenciais são incomparáveis. Portugal, com 10 milhões de habitantes, representa um mercado maduro e estabilizado onde nossa operação serve exportação de um center of excellence. O Brasil, com 215 milhões de habitantes e um mercado projetado para alcançar R$ 50 bilhões até 2029, representa nossa maior oportunidade de crescimento global. As metas refletem essa diferença de escala. Em Portugal, focamos em consolidação, inovação tecnológica e expansão para outros mercados europeus. No Brasil, nossa meta é tropicalizar os nossos produtos e estabelecer-nos como o principal fornecedor de plataformas turnkey & custom made do mercado brasileiro, capturando pelo menos 15% do share de GGR anual gerado até 2027. Mais estrategicamente, vemos o Brasil como nossa plataforma de expansão para toda a América Latina. O sucesso aqui credencia nossa tecnologia e expertise para mercados como México, Colômbia e Argentina. Estamos construindo no Brasil não apenas uma operação local bem-sucedida, mas a base para nossa liderança continental no setor B2B de iGaming. O que nos move é a convicção de que o Brasil será o mercado que definirá os padrões de excelência para toda a região.







