
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Uma proeminente advogada, com especialização em Direito Penal e Compliance, Polyana Sayuri Carvalho Yazaki atua há alguns anos com regulação, jogos, integridade e proteção de dados. É membro da Comissão de Direito dos Jogos da OAB/DF e Consultora da Comissão de Direito dos Jogos Lotéricos da OAB/RJ. Esta executiva é natural de Brasília, mas cresceu no Espírito Santo. Se mudou para o Rio de Janeiro aos 17 anos, após receber uma bolsa de mérito para estudar na FGV Direito Rio. Durante seu tempo na cidade, se especializou em Direito Penal na UERJ e, na sequência, mudou-se para Portugal para se especializar em “Law Enforcement, Compliance e Direito Penal nas atividades bancária, financeira e econômica”, na Universidade de Lisboa.
A profissional definitivamente tem um currículo e trajetórias invejáveis, ainda sendo uma jovem executiva. Vamos conhecer um pouco mais desta destacada representante feminina do setor gaming.
UMA VISÃO ESTRATÉGICA, MULTIDISCIPLINAR E SISTÊMICA DO SETOR
Deixamos Polyana à vontade para discorrer um pouco desta trajetória exitosa. A seguir: “Quando retornei à Brasília, dei continuidade aos meus estudos e comecei a trabalhar em um escritório de advocacia, com foco em compliance. Como o mercado de apostas ainda não estava em processo de regulamentação naquele momento, desenvolvi pesquisas e estudos próprios sobre o tema para embasar a atuação prática. Em razão da minha formação e experiência acadêmica nessas áreas, especialmente em integridade e PLD/FT, passei a atuar de forma mais direta com compliance no setor de apostas, apoiando empresas na criação de rotinas, na análise de riscos regulatórios e nos processos de adequação normativa”.
Mas tem muito mais: “Depois disso, fui convidada para trabalhar na Loteria do Estado do Rio de Janeiro – LOTERJ, e me mudei para o Rio de Janeiro. Aprendi muito com profissionais experientes, pude acompanhar de perto o funcionamento do setor e tive grandes aprendizados, com a oportunidade de acompanhar o setor, tanto do ponto de vista regulatório quanto operacional”. Os ensinamentos nesta importante experiência foram um salto na sua aprendizagem.
Ela agrega: “A possibilidade de compreender, na prática, o funcionamento interno de uma das loterias que é referência no país, incluindo seus fluxos operacionais, processos internos e mecanismos de controle e estrutura de governança foi muito enriquecedora ao trabalhar nas funções jurídicas e de gestão, atuando como DPO e também em posição de Diretoria, participando de projetos estratégicos, desenvolvimento regulatório, estruturação de processos internos e interlocução institucional. Um ciclo muito importante na minha trajetória”.
Para a executiva, a experiência no setor público e o conhecimento que adquiriu nesse período foram fundamentais para seu amadurecimento profissional e para consolidar uma visão mais estratégica, multidisciplinar e sistêmica do setor de jogos.
NATURALMENTE DIRECIONADA ÀS DEMANDAS DO GAMING
Mas como exatamente ela entrou no setor de jogos e o que há na indústria que lhe atrai e a fez dedicar-se ao segmento? A executiva dá todos os detalhes: “Entrei meio ‘por interseção’ entre regulação, compliance e mercado de apostas. Comecei atuando em temas de integridade e prevenção à lavagem de dinheiro e, naturalmente, passei a atender demandas ligadas ao setor de jogos. Quando percebi, já estava totalmente envolvida com a área, e gostei bastante da complexidade e da velocidade com que tudo evolui”.
Para ela, é um setor muito dinâmico, desafiador em termos regulatórios, que envolve pesquisa e atualização constante, além de tecnologia, comportamento do consumidor, integridade e política pública ao mesmo tempo. Ela afirma que poucas áreas do direito exigem uma visão tão multidisciplinar, e é justamente essa combinação que mais a motiva.
AMBIENTES MAIS DIVERSOS AJUDAM NA TOMADA DE MELHORES DECISÕES
Perguntamos o que ela pensa sobre a crescente integração de minorias em empresas de jogos, e obtivemos a seguinte resposta: “Acho essencial. O setor de jogos, como qualquer outro mercado que impactam milhões de pessoas, cresce de forma mais saudável quando é diverso em formação, gênero, origem, experiências e visões de mundo. Ambientes diversos tendem a tomar decisões melhores, reduzir vieses e antecipar riscos com mais qualidade, porque reúnem perspectivas diferentes na mesma mesa”.
Além disso, ela amplia: “Também vejo a integração de minorias como um reflexo de maturidade institucional e de valores democráticos dentro das empresas. Quando há mais pluralidade nos times e na liderança, há mais debate, mais transparência e mais equilíbrio nas decisões. Isso fortalece a governança e a credibilidade do setor como um todo”.
Então, ela finaliza com a seguinte visão: “Diversidade não é só uma pauta social, mais uma pauta de eficiência. Empresas mais inclusivas costumam inovar mais, se comunicar melhor com o público e construir soluções mais aderentes à realidade. Para um mercado regulado e em evolução como o de jogos, isso faz muita diferença”.
AVANÇOS REAIS NA QUESTÃO DE GÊNERO
Nas questões como equidade de gêneros, paridade salarial e igualdade de acesso a cargos de gerência, Polyana traduz de maneira sábia e lúcida a temática. “Ainda há bastante espaço para evoluir em equidade de gênero, paridade salarial e acesso a cargos de liderança, mas vejo avanços reais nos últimos anos, especialmente no setor de jogos. Vejo cada vez mais mulheres ocupando posições estratégicas, participando de decisões relevantes e liderando projetos importantes”, diz.
ENFRENTAR DESAFIOS COMPLEXOS E CONSTRUIR SOLUÇÕES CRIATIVAS
Perguntada quais são suas qualidades profissionais e como acredita que seus colegas de trabalho a descreveriam, Sayuri Yazaki faz uma autoanálise de quem tem conhecimento de si mesma e do que vivencia no ambiente iGaming: “Gosto especialmente de lidar com desafios complexos e de construir soluções criativas e juridicamente seguras para problemas novos; principalmente, em ambientes regulatórios que ainda estão em evolução. Me motiva trabalhar em projetos interdisciplinares, onde direito, tecnologia e integridade caminham juntos”.
Acrescenta ainda: “Sou analítica e organizada, com facilidade para transitar entre o jurídico técnico e o operacional, conectando estratégia e execução. Também tenho um perfil bastante voltado à prevenção de riscos. Gosto de estruturar processos e controles para antecipar problemas e trazer mais segurança e previsibilidade às operações”. Quanto às opiniões de seus amigos, ela revela que eles provavelmente diriam que é confiável e técnica. Adicionando: “Também que gosto de construir soluções em conjunto e manter o diálogo aberto com as equipes. Costumam me ver como alguém analítica e inventiva, que procura entender os temas a fundo e propor caminhos novos quando surgem problemas”.
FAMÍLIA, EQUILÍBRIO PESSOAL E FUTURO PROFISSIONAL
Mas e a família o entorno mais íntimo? Quais aspectos de sua personalidade que seus amigos e familiares destacam? Deixemos que ela transmita todos os aspectos neste sentido: “Meus amigos e minha família geralmente dizem que sou direta e leal, empática, curiosa e criativa, esforçada e batalhadora. Quando acredito em alguma coisa, vou atrás mesmo”.
Em relação ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal, Polyana conta que busca organizar bem sua agenda e suas prioridades. Nem sempre é fácil para ela, mas aprendeu a preservar seu tempo pessoal. Fora do trabalho, ela gosta de viajar, estar na natureza, fazer trilhas, ler, meditar, ir a exposições de arte e passar tempo com pessoas queridas.
Finalmente, quanto as suas perspectivas para os próximos dois anos, ela responde: “Eu quero continuar aprofundando minha atuação no setor de jogos e apostas, especialmente em regulação e integridade, e participar de projetos estruturantes no mercado brasileiro”.
Em uma linha
Um livro: “Kafka à beira-mar” (Haruki Murakami, 2002)
Um filme: “Daisies” (Vera Chytilová, 1966)
Música favorita: ‘Os alquimistas estão chegando’, de Jorge Ben Jor
Um perfume: ‘Eau de Magnolia’, by Frédéric Malle
Um lugar onde moraria: Kyoto, Japão
Um lugar para passar férias: Rio Grande do Norte (Brasil)
Um restaurante: ‘Mitsubá’ (Rio de Janeiro, Brasil)
Uma comida: Arroz e feijão
Uma bebida: Chá
Um esporte: Futebol
Um professor ou referência em sua vida: Prefiro não responder para não desprestigiar ninguém











