
Por Leticia Navarro, jornalista na G&M News.
Qual foi a representatividade da SIGA no BiS SiGMA South America 2026?
A presença da SIGA nesse evento foi muito importante. Vimos a reunião de stakeholders do mercado de apostas esportivas como um único e grandioso encontro. Acreditamos que o mercado regulado só vai prosperar com uma harmonização e um diálogo aberto entre os stakeholders. Vimos no evento representantes do Governo, das operadoras, das entidades de integridade, e que a SIGA é uma delas, importantes aqui no Brasil e no mundo. Então, o evento em si foi justamente o que a SIGA acreditava: uma reunião de stakeholders, de partes relevantes do mercado para debaterem e avançarem com esse mercado regulado.
Você participou como palestrante no evento. Qual a abordagem que você deu especificamente? Qual a resposta que você teve? Como você viu o público presente?
A nossa intervenção foi num painel com outros colegas de entidades de integridade, onde pudemos falar um pouquinho das atividades de cada uma dessas entidades e discutir o impacto que a Copa do Mundo vai ter aqui no mercado em termos de apostas esportivas.
Justamente abordando essa questão da Copa, a importância da SIGA, nesse sentido e a nível mundial com relação a proteção e a manipulação de jogos, proteção de usuários, como é a atuação da SIGA nesse aspecto, particularmente no Brasil?
O Brasil é um mercado desafiador porque ele foi recentemente regulado. Na verdade, ele já vem há alguns anos regulado, mas a lei veio a ser regulamentada recentemente. Então, é um mercado muito recente e ainda incipiente em termos de consolidação de princípios. O Governo vem dialogando com o mercado e trazendo a cada dia novos regulamentos. Essa é a nossa dificuldade aqui no Brasil. Com relação à Copa do Mundo, discutimos isso em um painel exatamente, e o impacto, na verdade, é que a Copa do Mundo amplifica muito as coisas. A indústria vai ter muito cuidado para não ter nada fora do lugar nesse período, porque a Copa do Mundo vai amplificar se houver algum problema. Mas em termos de manipulação de resultados em si, a Copa é menos relevante porque é um lugar de muito holofote e os manipuladores não estão procurando jogos de muita visibilidade para manipular. São menos preocupantes do ponto de vista da manipulação, porque eles estão lá preocupados em manipular em campeonatos menores, não televisionados, etc. Onde é mais, digamos, favorável o ambiente para manipuladores, e é ali que temos que combater mais essa atividade. De qualquer forma, a Copa do Mundo, como eu disse, amplifica muito as coisas, testa a capacidade das operadoras, porque provavelmente vai haver muita aposta, mas nesse aspecto operacional, no lado da manipulação, a gente vê com menos preocupação os jogos em si.

Em breve, haverá um encontro muito importante em Brasília, que o Governo brasileiro está organizando, onde a SIGA é convidada junto a outros participantes relevantes. O que você pode adiantar dessa reunião?
Sim, o Ministério do Esporte vem liderando um grupo de trabalho interministerial, que é uma conjunção de alguns ministérios do Governo, em prol desse enfrentamento da manipulação de resultados esportivos. Nesse final de mês, dias 28 a 30 de abril, vai haver uma nova edição desse movimento, desse grupo de trabalho. Nós pretendemos discutir, em especial nesse evento, alguns estudos que nós estamos realizando e concluindo a respeito da manipulação de resultados, da caracterização penal dessa prática no Brasil e em países relevantes no ponto de vista do mercado de apostas. Vamos a apresentar algum estudo comparado, tentando buscar lacunas, espaço de melhoria para a legislação brasileira.
Conte um pouco acerca das parcerias da SIGA e os projetos futuros dentro do Brasil.
Acho que a SIGA tem como missão, como eu disse anteriormente, reunir atores em busca de um bem comum. Cada participante do mercado tem o seu objetivo, o Governo e as operadoras. Mas a palavra ‘integridade’ é o marco central, é a pedra fundamental da razão de ser da SIGA. Ela é buscada de uma forma transversal e igualitária por todos os participantes do mercado, de uma maneira única; a ética é inegociável e ela é inflexível. A ética deve ser a mesma para todos. Nesse sentido, a SIGA tem uma série de parcerias, tanto com o Governo, com operadoras, com vocês da G&M News, que é uma parceria muito importante na parte de mídia e de divulgação e comunicação, para justamente propagar essa palavra da integridade e garantir que a integridade esteja presente não só nas apostas esportivas, mas em todo o mercado esportivo. A SIGA está atuando no mundo inteiro, é uma aliança global que visa garantir que a integridade esteja presente não no futebol, não no basquete, no vôlei, mas em todos os esportes, porque sem integridade o esporte não vai ter algo fundamental para ele, que é a imprevisibilidade do resultado. Ou seja, o esporte, se não for imprevisível, ele não vale para nada, ele perde todo o seu valor, toda a sua essência e essa imprevisibilidade só existe se a integridade estiver presente também. Então é por aí que a SIGA atua e procura fazer todas as suas alianças para chegar nesse bem comum.







