
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Conte detalhes de como consiste sua atuação na empresa e como chegou no iGaming.
Minha atuação hoje está ligada à análise de risco operacional e prevenção a fraudes dentro do ambiente de iGaming. O trabalho consiste principalmente em acompanhar o comportamento dos jogadores, identificar padrões de apostas suspeitos e monitorar possíveis irregularidades que possam comprometer a integridade da operação. Entre as principais atividades da minha rotina, estão a análise de multi-contas, identificação de possíveis fraudadores, monitoramento de movimentações suspeitas e avaliação de padrões relacionados a surebets. Também atuo acompanhando odds desreguladas e situações que possam gerar exploração indevida da plataforma, sempre buscando reduzir riscos financeiros e operacionais para a Aposte Fácil. Além disso, trabalhamos constantemente com análise e cruzamento de dados para entender se determinada atividade faz parte de um comportamento legítimo do usuário ou se apresenta indícios de abuso, manipulação ou fraude. É uma área que exige atenção em tempo real, tomada de decisão rápida e atualização constante, porque os métodos utilizados pelos fraudadores evoluem muito rapidamente. Minha chegada ao iGaming aconteceu inicialmente por meio de um amigo que já trabalhava no setor. Quando surgiu uma oportunidade, ele acabou me conectando a esse universo, que eu já conhecia e acompanhava também como jogador. A partir daí, meu interesse pelo segmento de iGaming cresceu bastante. O segmento é dinâmico e desafiador, porque une operação, dados, segurança e experiência do usuário em um ambiente que funciona 24 horas por dia. Isso despertou ainda mais meu interesse profissional e me motivou a crescer dentro do mercado.
Para você, como acredita ser possível construir uma estrutura eficaz de proteção ao jogador, utilizar dados de forma estratégica, otimizar fluxos operacionais e, ao mesmo tempo, estar alinhado ao que estabelece a regulamentação do setor?
Eu acredito que o principal é conseguir equilibrar segurança, tecnologia e experiência do jogador. Hoje, usar dados de forma estratégica faz toda a diferença, porque permite entender melhor o comportamento do usuário, identificar padrões suspeitos e agir de forma preventiva. Ao mesmo tempo, a automação ajuda a deixar os fluxos mais rápidos e eficientes, reduzindo atritos para jogadores legítimos e permitindo que a equipe foque nos casos que realmente precisam de análise mais detalhada. Sobre a regulamentação, vejo que ela vem para trazer mais segurança e credibilidade ao setor. Então, estar alinhado às exigências de compliance, KYC e jogo responsável acaba sendo essencial não só para seguir as regras, mas também para fortalecer a confiança na operação e proteger todo o ecossistema.
Existem casos em que fraudadores utilizam a IA para furtar contas, cometer ilícitos e irregularidades que comprometem o mercado. Quais as ferramentas usadas neste momento pela Aposte Fácil para a proteção do ecossistema iGaming?
Os fraudadores usam cada vez mais tecnologia, como IA, automações e engenharia social, grupos e sites com outros fraudadores, o que faz as empresas precisarem evoluir constantemente na parte de segurança. Na Aposta Fácil, trabalhamos com monitoramento de transações, análise de comportamento como padrões de apostas, autenticação em múltiplos fatores e regras automatizadas para identificar atividades suspeitas em tempo real. As fraudes mais comuns no iGaming hoje são invasão de contas, multiaccounting, abuso de bônus, fraudes em pagamentos e uso de bots. Por isso, o trabalho de prevenção precisa ser contínuo, combinando tecnologia, análise de dados e acompanhamento humano.
Diante do processo de regulamentação das bets que o Brasil passou, quais serão os desafios quanto ao combate às fraudes e os novos riscos que podem surgir num futuro próximo?
A regulamentação representa um avanço muito importante para o mercado brasileiro, principalmente em termos de transparência, proteção ao consumidor e profissionalização do setor. Além disso, cria um ambiente mais seguro e sustentável, protegendo tanto as empresas quanto os próprios usuários. Porém, ela também traz novos desafios operacionais e tecnológicos. Um dos principais desafios será justamente acompanhar a evolução das fraudes digitais. Os criminosos tendem a adaptar rapidamente seus métodos conforme o mercado amadurece e os controles ficam mais rígidos. Isso deve aumentar o uso de identidades sintéticas, deepfakes, automações via IA e ataques mais sofisticados. Outro ponto importante será o equilíbrio entre conformidade e experiência do usuário. As empresas precisarão implementar processos robustos de validação sem tornar a jornada muito burocrática. No futuro próximo, acredito que veremos um crescimento ainda maior no uso de análise comportamental, machine learning e monitoramento para antecipar riscos antes mesmo que a fraude aconteça. A regulamentação exigirá das empresas investimentos contínuos em tecnologia, capacitação profissional e governança para acompanhar a velocidade das ameaças digitais.







