
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Qual sua análise sobre a diferença entre jogar em casinos físicos e online, a questão de escolher entre tradição e inovação dos jogos, e as mudanças de comportamento dos jogadores neste sentido, em especial no mercado português?
Os casinos físicos e os casinos online oferecem experiências distintas, mas hoje complementares. O casino físico continua a proporcionar algo que a plataforma digital dificilmente consegue reproduzir, tal como a experiência social, emocional e sensorial. O ambiente, a interação humana, o entretenimento ao vivo, a restauração, os espetáculos e o próprio glamour do espaço fazem parte da experiência do cliente. Já o jogo online responde sobretudo à procura por conveniência, rapidez e acessibilidade. O jogador pode jogar a qualquer hora e em qualquer lugar, através de dispositivos móveis, o que naturalmente alterou hábitos de consumo, sobretudo nas gerações mais jovens. Em Portugal, existe uma particularidade muito interessante: temos uma forte tradição de casinos físicos, muitos deles integrados em destinos turísticos de excelência. Casinos como os das zonas Estoril, Lisboa, Póvoa, Espinho, Algarve, Figueira, Troia ou Madeira têm uma ligação histórica ao turismo, ao lazer e à animação cultural. Isso faz com que o casino físico mantenha uma grande relevância, não apenas como espaço de jogo, mas como centro de entretenimento e atração turística. O que verificamos hoje é uma mudança de perfil do cliente. O jogador contemporâneo procura experiências mais completas, dinâmicas e personalizadas. Os jogos tradicionais continuam a ter enorme importância, especialmente entre clientes habituais e públicos internacionais. As máquinas automáticas continuam numa procura crescente e representam cerca de 80% do volume de receitas nos casinos físicos. O cliente de hoje procura por inovação tecnológica, novas dinâmicas de jogo e integração digital e em especial um serviço premium. Por isso, acredito que o futuro não passa por uma competição entre físico e online, mas sim pela coexistência e complementaridade dos dois modelos. Os casinos físicos que melhor se adaptarem e que tenham as melhores equipas técnicas e especializadas nos seus mercados serão aqueles capazes de preservar a tradição.
Poderia apontar os eventos organizados pelo Casino, o alcance junto ao público e qual o perfil que buscam atingir?
Nos últimos anos, o Casino da Madeira tem assumido um posicionamento muito claro: ser mais do que um espaço de jogo. Procuramos afirmar-nos como um polo de entretenimento, cultura e animação turística da Região Autónoma da Madeira. A estratégia passa por diversificar a oferta e criar experiências capazes de atrair diferentes públicos. Todos os anos, o Casino da Madeira tem a seu cargo a produção e a exibição de um show de nível internacional que poderá ser visto e revisto no seu restaurante temático Bahia. Semanalmente, temos a nossa discoteca Copacabana, que é um símbolo da região de seu nome mítico e considerado a catedral da noite madeirense de nom. Também organizamos Roof Top e espetáculos musicais, eventos temáticos, festas sazonais, animação ao vivo, jantares especiais, celebrações de datas festivas e iniciativas ligadas ao turismo e à cultura regional. Um dos momentos de maior destaque é o período do Fim de Ano e das festividades madeirenses, em que o Casino da Madeira integra a dinâmica turística da região, recebendo visitantes nacionais e internacionais que procuram entretenimento de qualidade associado à experiência turística da Madeira. Além disso, apostamos em eventos corporativos, sociais e culturais, permitindo que o espaço seja frequentado por públicos que muitas vezes não têm o jogo como principal motivação de visita. Isso é fundamental para aproximar novas gerações e segmentos de clientes ao universo do casino físico. O perfil de público é hoje bastante diversificado. Temos clientes tradicionais (locais), turistas internacionais, visitantes ocasionais (continentais) e um público mais jovem que valoriza experiências integradas de lazer, gastronomia, música e convívio social. O nosso objetivo é precisamente criar um ambiente sofisticado, seguro e multifacetado, onde diferentes públicos se sintam identificados. Acreditamos que o casino moderno deve funcionar como uma plataforma de entretenimento global e não apenas como uma sala de jogo. Essa é uma das grandes evoluções do setor.
Como funciona o jogo legal e responsável em Portugal, e como o seu estabelecimento se posiciona nesse sentido?
Portugal possui um enquadramento legal bastante rigoroso relativamente à atividade do jogo, tanto no setor físico como no online. Os casinos operam sob forte supervisão das entidades reguladoras (SRIJ) e cumprem regras muito exigentes em matéria de segurança, controlo e jogo responsável. Atualmente, existem mecanismos de monitorização, controlo de acessos, identificação de clientes e procedimentos internos destinados à prevenção de comportamentos de risco. Há também programas de autoexclusão e medidas de sensibilização para o jogo responsável. No caso do Casino da Madeira, este tema é tratado com enorme seriedade e responsabilidade. Entendemos que a sustentabilidade da indústria depende da promoção de práticas equilibradas, transparentes e responsáveis. Temos equipas preparadas para identificar situações potencialmente problemáticas, cumprimos integralmente as normas legais e promovemos uma cultura de responsabilidade junto dos nossos colaboradores e clientes. O objetivo é garantir que o jogo seja sempre encarado como uma forma de entretenimento e nunca como um problema social. Além disso, existe hoje uma preocupação crescente em conciliar inovação tecnológica com mecanismos de proteção do consumidor, algo que será cada vez mais importante no futuro do setor.
Qual a perspetiva que imagina para o futuro dos casinos físicos, as tendências e desafios que pode sinalizar, e onde o Casino da Madeira se posiciona neste cenário?
O setor dos casinos físicos continuará a evoluir e a ter um papel muito relevante, sobretudo em destinos turísticos e mercados onde a experiência presencial tem forte valor emocional e social. O grande desafio será acompanhar a transformação dos hábitos de consumo e responder às expectativas de novas gerações de clientes. Isso implica investir em tecnologia, inovação, personalização da experiência, digitalização de processos e diversificação da oferta de entretenimento. Os casinos do futuro serão espaços cada vez mais híbridos, integrando jogo, gastronomia, cultura, música, eventos e experiências premium. Mais do que jogar, o cliente procurará vivenciar uma experiência diferenciadora. Outro desafio importante será a concorrência crescente do setor online e a necessidade de manter elevados padrões de responsabilidade social e sustentabilidade. A credibilidade e a confiança serão fatores decisivos para o futuro da indústria. O Casino da Madeira posiciona-se precisamente nessa linha de evolução. Temos procurado modernizar a operação, valorizar os recursos humanos, investir na experiência do cliente e reforçar o papel do casino como referência turística e de entretenimento da Madeira. Acredito que os casinos físicos que conseguirem preservar a sua identidade histórica, mas simultaneamente inovar e adaptar-se às novas exigências do mercado, terão um futuro sólido e sustentável.







