
Por Tatiana Martins, jornalista da G&M News.
Atualmente, diversidade e inclusão deixaram de ser apenas pautas éticas ou sociais. Na verdade, são forças propulsoras de inovação e vantagem competitiva. Na indústria global de apostas e jogos, marcada por alta tecnologia, dinâmicas multiculturais e constante transformação, criar ambientes mais diversos e inclusivos é essencial para crescer e se manter relevante.
O setor de iGaming, por muito tempo caracterizado por perfis de liderança pouco diversos, começa a passar por uma transformação significativa. Empresas ao redor do mundo têm percebido que diversidade é uma alavanca real para evolução, expansão de mercado e conexão com públicos cada vez mais variados.
A DIVERSIDADE TEM VALOR ESTRATÉGICO PARA A INDÚSTRIA
Estudos mostram que empresas com maior diversidade de gênero e etnia têm mais chances de obter resultados financeiros acima da média do mercado. De acordo com a consultoria McKinsey, companhias que investem em inclusão têm até 36% mais chances de superar a concorrência em rentabilidade.
Na indústria de jogos e apostas, onde o contato com múltiplos mercados e culturas é constante, contar com times plurais é essencial para oferecer produtos mais alinhados com os perfis e expectativas dos consumidores. Além disso, diversidade também significa ambientes mais inovadores, criativos e resilientes.
MUITAS INICIATIVAS JÁ ACONTECEM PELO MUNDO
Algumas das principais operadoras globais vêm liderando iniciativas significativas nessa área. Vejamos alguns exemplos aqui:
1) A Entain criou o programa EnTrain, com a meta de impactar positivamente 1 milhão de pessoas até 2030. O programa oferece oportunidades de educação em tecnologia para grupos sub-representados, fomentando inclusão social e digital.
2) A Flutter Entertainment, controladora de marcas como Betfair, PokerStars e FanDuel, lançou sua estratégia de diversidade chamada Do More, com metas públicas para ampliar a diversidade em cargos de liderança e apoiar pessoas com deficiência e colaboradores de diferentes origens étnicas e culturais.
3) Nos Estados Unidos, o crescimento dos cassinos tribais tem impulsionado a representatividade indígena na liderança do setor. Um exemplo é Dominic R. Ortiz, CEO do Potawatomi Casino Hotel, eleito ‘Tribal Leader of the Year’, e que é membro da Prairie Band Potawatomi Nation. Sua trajetória mostra como é possível conciliar liderança empresarial com fortalecimento cultural.
ASSOCIAÇÕES DE MULHERES NA AMÉRICA LATINA
Na LatAm, a representatividade ainda é um desafio para o setor de apostas e jogos, mas algumas iniciativas importantes começam a ganhar protagonismo.
Desde seu início, em 2019, a G&M News amparou e espalhou temas como a diversidade, a inclusão e o forte papel das mulheres na indústria. Nesse sentido, a mídia promoveu a criação de organizações como a AFEM e apoiou grupos como a International Gaming Women. A partir desses exemplos, no Brasil, surgiu a Associação de Mulheres da Indústria do Gaming (AMIG). Criada para promover a equidade de gênero no setor, atua com ações de visibilidade, capacitação, networking e suporte a mulheres que desejam crescer profissionalmente dentro do mercado. A associação já marca presença em eventos, painéis e campanhas de conscientização, além de incentivar empresas a adotarem políticas concretas de diversidade e inclusão.
A LUTA PELA IGUALDADE CONTINUA
Apesar dos avanços, ainda há muito a ser feito. Barreiras estruturais, preconceitos históricos e a baixa presença de diversidade nas lideranças são obstáculos reais que exigem políticas consistentes para serem superados.
O caminho envolve desde o recrutamento inclusivo e programas de desenvolvimento até o comprometimento das lideranças com metas claras e mensuráveis. A diversidade deve ser tratada como parte da estratégia de crescimento das empresas, e não apenas como um item de conformidade.
Diversidade e inclusão na indústria de apostas e jogos não são tendências passageiras, mais fatores-chave para inovação, crescimento sustentável e conexão real com os diferentes perfis de consumidores ao redor do mundo. Promover inclusão é também apostar no futuro do setor.







