Em 1967, nosso avô fundou a empresa E.A.S. Seixas Diversões Públicas, dedicada à fabricação e operação de mesas de bilhar e do “fura-fura”, um equipamento que soltava bolas premiadas ou não. Naquela época, o setor de bilhares começou a sofrer algumas restrições, marginalizando a atividade e dificultando sua exploração.
No entanto, o tempo mostrou que o bilhar era, na verdade, um esporte, embora tenha demorado para ser reconhecido como tal. Ainda assim, esse era um excelente negócio, altamente rentável, que transformou a vida de muitos empresários e proporcionou entretenimento para inúmeras pessoas.
ERA DOS FLIPERAMAS VINDA DE CHICAGO
Com o passar dos anos, nosso pai, João Seixas, percebeu que o segmento de bilhares já não crescia como antes. Em busca de novas oportunidades, viajou para Chicago (EUA), onde identificou um mercado promissor de fliperamas. Diante disso, decidiu fundar a empresa Fliperboll, uma indústria que, na época, contava com cerca de 170 funcionários, dedicados exclusivamente à fabricação e comercialização desses equipamentos.
Além da produção, a Fliperboll também operava diretamente no setor de entretenimento, com aproximadamente 30 lojas distribuídas por São Paulo. No entanto, em 1979, a Lei 8.964 proibiu a concessão de alvarás para casas de diversão situadas a menos de 200 metros de escolas, o que impactou negativamente o setor e levou a uma retração no mercado.
ADVENTO DO VÍDEO PÔQUER NOS GARIMPOS
Com a evolução do setor, novas tendências surgiram. Nosso tio, Luiz Seixas, identificou um novo nicho no Brasil: as máquinas de vídeo pôquer. Ele então fundou a empresa L.S. Seixas na década de 1980, chegando a operar diversas lojas na Grande São Paulo.
Além disso, como também atuava no setor agropecuário no Mato Grosso, começou a instalar essas máquinas em garimpos, utilizando aviões bimotores para realizar a arrecadação. Contudo, com o tempo, essa atividade passou a ser considerada ilegal, o que resultou no encerramento do negócio.
CHEGADA DOS BINGOS E A REAL GAMES
No Brasil, a Lei Zico e a Lei Pelé abriram o mercado para os bingos, trazendo novas oportunidades. Diante desse cenário, nosso pai, João Seixas, fundou a Real Games, uma empresa dedicada à fabricação de equipamentos para jogos. Foi nessa época que nós, Otavio Seixas e João Seixas Filho, começamos a acompanhar os passos de nosso pai, ainda na adolescência.
Foram anos de muito aprendizado e sucesso, até que, infelizmente, a MP 168, decretada pelo governo Lula, proibiu essa atividade, gerando um cenário extremamente desafiador para todos do setor. Com essa mudança, decidimos nos reinventar. Passamos a atuar no mercado de sorteios de títulos de capitalização e na fabricação de máquinas de redemption.
REVOLUÇÃO DIGITAL E O FUTURO ONLINE
Pouco tempo depois, surgiram os primeiros sites de jogos na Internet, sediados em outros países. Isso ocorreu antes mesmo da popularização dos smartphones, mas já era evidente que a forma de jogar estava mudando. Foi então que Otávio Seixas fundou a empresa RGB Loterias, voltada para o mercado de sorteios e loterias, com contratos com empresas de capitalização a nível nacional, oferecendo tecnologia.
Paralelamente, João Seixas Filho fundou a Real Games Bet, dedicada ao desenvolvimento de jogos online para operadoras de sites de jogos. Desde então, o setor passou por uma transformação radical, impulsionada por inovações tecnológicas, pagamentos instantâneos e uma nova geração de jogadores, muito mais conectada e exigente em relação à experiência digital.
O que antes exigia uma logística complexa para a operadora de equipamentos físicos, hoje está literalmente na palma da mão do jogador, disponível 24 horas por dia. Seu próprio smartphone se tornou uma plataforma de jogo acessível a qualquer momento e em qualquer lugar, eliminando a necessidade de deslocamento ou infraestrutura física volumosa.
JOGO RESPONSÁVEL E ENTRETENIMENTO SAUDÁVEL
Os empresários do setor têm uma grande responsabilidade na proteção dos jogadores, garantindo que o jogo seja praticado de forma saudável. O jogo responsável não depende apenas do jogador, mas principalmente do empresário, que deve saber identificar e orientar o jogador problemático sobre o momento certo de parar.
Como diz o grande empresário do segmento de jogos, referência para todos nós, Manuel Lao, fundador da Cirsa Unidesa e hoje proprietário do Grupo Nortia: “O problema do empresário do jogo muitas vezes está na sua ambição. O jogo deve ser uma forma de entretenimento saudável. Devemos querer que o jogador se divirta com o dinheiro do café, não com o dinheiro da carteira dele”. Que essa frase seja uma reflexão para todos nós, vinda de um empresário com longa tradição no segmento.
EMBATE ENTRE O MUNDO FÍSICO E DIGITAL
Olhando para trás, percebemos como o setor evoluiu. Nosso avô iniciou fornecendo entretenimento com mesas de bilhar robustas e pesadas, exigindo grande logística para transporte e instalação. Com o tempo, nosso pai e nosso tio avançaram para máquinas eletrônicas, que ainda demandavam infraestrutura e manutenção constantes.
Hoje, seguimos esse mesmo caminho, mas de uma maneira muito mais eficiente: o jogador tem sua experiência de jogo no bolso, acessível a qualquer momento e em qualquer lugar. Apesar dessa revolução digital, sabemos que o jogo físico nunca deixará de existir, pois proporciona uma experiência social que o digital não pode substituir completamente.
No entanto, o setor jamais será como antes, pois a tecnologia continuará transformando a forma de jogar. Nosso desejo é que as novas empresas da era digital tenham a mesma consciência e responsabilidade que os empreendedores do jogo físico tiveram no passado. O jogo deve ser encarado como um negócio sério e sustentável, e não apenas como uma ferramenta de obtenção de lucro imediato.
CONSCIÊNCIA DO JOGADOR E DO EMPRESÁRIO
Se quisermos que essa indústria permaneça viva e continue inovando, é essencial que os empresários adotem boas práticas e garantam um ambiente seguro e sustentável para os jogadores. Dessa forma, poderemos continuar crescendo sem sofrer restrições governamentais abruptas, garantindo um setor forte e confiável.
Que tenhamos a consciência do jogador na hora de jogar, mas que, sobretudo, tenhamos a consciência do empresário do jogo. Com anos de experiência no setor de jogos, faço parte da terceira geração de um negócio com profundas raízes no segmento. Ao longo da minha trajetória, atuei em diversas áreas, desde a fabricação até a operação, acumulando amplo conhecimento no mercado.
Atualmente, dedico-me à Real Games Bet, consolidando a empresa como um provedor de jogos inovador, e à Real King Empreendimentos, focada no desenvolvimento de projetos imobiliários. Acredito na visão estratégica, na inovação e no crescimento sustentável, sempre buscando novas oportunidades para expandir e fortalecer meus negócios.








