
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Depois atuar como advogada desde 1994, em 2007 Andréa Ueda passou a ser responsável por jurídicos e áreas de compliance internas, sempre em mercados regulados. Quando indagada sobre como entrou para o setor de jogos, ela revela: “Minha entrada no setor de jogos e apostas foi sem querer. No final de 2022, eu estava buscando novos ares. Atuava no mercado financeiro e, pelas mãos de um amigo advogado, meu currículo foi para um cliente dele, uma grande operadora internacional de apostas, que buscava uma pessoa no Brasil para ser responsável pela compliance do novo mercado brasileiro”.
A executiva acabou sendo contratada em maio de 2023. Num mercado novo como o Brasil, ela diz que todos os entes (regulador, operadoras e demais parceiros, além dos próprios consumidores) tiveram uma curva de aprendizados e mudanças. Seu desenvolvimento na primeira experiência aponta o grande aprendizado. “Transcorrido 1 ano e 6 meses, acabei aprendendo e me desenvolvendo muito no setor, vendo desde a criação dos arcabouços legislativo e regulatório até a constituição formal do atual regulador brasileiro. Agora, eu posso considerar que a profissional de compliance em jogos e apostas nasceu junto com o novo mercado regulado no Brasil”, assegura.
ATRAÇÃO, VISÃO DE MERCADO E SENSO DE RESPONSABILIDADE
Mas o que realmente há na indústria dos jogos que atraiu esta profissional fazendo com que se dedicasse ao segmento? Sua resposta de nota visão apurada de mercado. “O ponto principal, no caso do Brasil, é a novidade que mencionei acima, pois isso trará enormes desafios, de vários lados (legais, regulatórios, sociais etc.), e exigirá resiliência e proatividade dos profissionais que forem atuar nesse setor”, expressa.
Além de visão de mercado, Ueda também revela proatividade e senso de responsabilidade em adaptar-se às exigências laborais e legais diversas, lidando com situações que sequer o regulador e o Governo estão acostumados. Um tema de destaque -explica- será o jogo responsável, que exigirá integrações com o mundo da saúde, mais do que com o mundo da regulação, o que torna o mercado delicado, mas pulsante. É evidente que o jogo responsável ajudará a impulsionar um mercado saudável.
DAS MINORIAS ÀS ASSOCIAÇÕES DE MULHERES
Sobre a crescente integração de minorias em empresas de jogos, a executiva aponta: “No setor de apostas, vejo com grande tristeza que as mulheres são minoria e, ainda pior, em alguns eventos, a mulheres são objetivadas e servem para, literalmente, atrair a atenção, ou compor um espaço. Em termos de outros grupos, como LGBTQIAP+, pretos, indígenas, nem se fala. Existe uma certa diversidade na base, mas, na liderança não, pois a maioria é composta de homens, CIS, brancos”.
Por isso, ela é categórica em questões como equidade de gêneros, paridade salarial e igualdade de acesso a cargos de gerência. Considera que, sob o viés do gênero feminino, o tema da equidade, no setor de apostas, deve ser mais tratado, pois a desigualdade é muito mais tocante e exposta em eventos.
A profissional cita sua participação ativa na busca e no somatório de forças entre as mulheres, ao apontar com sabedoria: “É certo que existem movimentos em defesa das mulheres. Por exemplo, cito a Associação brasileira da qual faço parte, a AMIG, fundada por maravilhosas mulheres do setor de apostas, não para ser contra os homens, mas a favor das mulheres, bem como a Global Gaming Women, da qual também sou associada”.
Ela acredita que é sempre importante haver a sororidade. A união ajuda a compartilhar vagas laborais, elaborar e promover cursos e palestras, trocar dicas e experiências de trabalho no mercado. Para o momento do Brasil, isso é extremamente relevante.
ANOS DE EXPERIÊNCIA E QUALIDADES FACILITADORAS
Quanto às suas qualidades profissionais, ao ser questionada sobre este tema, Ueda revela um espírito resiliente e de grande fortaleza interior, além de uma sábia humildade autocrítica. “Sou uma pessoa que acredito na constante (re)construção, até mesmo diária. Tenho como meta a melhora continua”, responde.
Denota também seu senso de equilíbrio ao afirmar: “Esse balance entre tais elementos é importante, pois, muitas vezes, um aparente limitador em um momento pode ser bom para evitar que eu faça algo que não seja tão bom naquele instante”. E agrega: “O que costumo fazer é coletar todas as menções que recebo de terceiros, seja para criticar, seja para elogiar, e filtro isso de acordo com essas minhas metas e com base nesse balanço, sempre em busca da tal melhoria em prol do que eu tenho em vista na minha carreira”.
AUTOANÁLISE SINCERA ALIADA ÀS METAS PROFISSIONAIS
Com toda esta autoanálise, perguntamos à profissional como crê que seus colegas de trabalho a descreveriam. Andréa contesta com sinceridade: “Pelo tanto que já ouvi, acredito que organizada, dedicada, que sabe ensinar e bem articulada, certamente focada, obstinada, estudiosa e egoísta, pois muitas vezes olhei para meu foco e meta profissional e deixei de lado os aspectos familiares e de amizades. Mas, como disse, isso faz parte da minha jornada e meta profissional”.
Ao equilibrar seu tempo entre sua vida pessoal e profissional, quais seus hobbies e interesses fora do escritório, Ueda tem uma perspectiva singular e bastante saudável. “Não sei se gosto da palavra ‘equilíbrio’. Prefiro usar a palavra ‘adequação’. Eu adequo meus horários ao longo do dia para que, a par do trabalho, dos estudos e leituras técnicas caibam, sempre, exercícios físicos, leitura de literatura não técnica, conversas com meu marido sobre temas variados e eventualmente uma sessão de filme ou série. Também, hoje fica um pouco mais fácil, porque meus filhos têm 21 anos e nem moram mais comigo”, ela confessa.
PERSPECTIVAS E TROCAS DE CONHECIMENTOS
Finalmente, quando perguntada sobre suas perspectivas para os próximos dois anos, projetos pessoais e/ou profissionais, Andréa declara: “Eu e meu marido temos uma meta de morarmos um tempo fora do país, mas isso vai depender da concretização de alguns fatores sobre os quais estamos trabalhando. Em termos de trabalho, de verdade, sou bem dinâmica e meu interesse é sempre estar em um ambiente saudável, que me permita ser eu mesma, mostrar e entregar o que sei, mas ouvir e receber conhecimentos em troca”.
Da mesma forma, ela admite: “Agora, com 54 anos, eu penso em curtir cada momento com meu marido. Somos muito de absorver cultura -teatro, leitura, ópera-, então nos organizamos financeiramente para a meta de morar fora, em um local que nos permita vivenciar as experiências e culturas locais, sem custos desnecessários”.
Em uma linha
Um livro: “Pessoa” (Richard Zenith, 2021)
Um filme: “O Poderoso Chefão” (Francis Ford Coppola, 1972)
Música preferida: “Maniac”, de Michael Sembello
Um perfume: ‘Dior Addict’, by Dior
Um lugar que viveria: Torino, Itália
Um lugar para passar férias: Itália
Um lugar para comer: ‘D.O.M.’, em São Paulo (Brasil)
Uma comida: pizza de fundo de alcachofra ou risoto de brie com damasco
Uma bebida: vinho branco ou rosé
Um esporte: corrida
Um professor ou referência em sua vida: meu avô Antônio











