
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Qual o papel da APAJO como ente importante e voz que representa as operadoras, e quais seriam as demandas dessas empresas?
A APAJO tem assumido o papel de representante das operadoras licenciadas em Portugal, tendo também como parceiros fornecedores tecnológicos do setor. As principais preocupações da indústria acolhidas na associação têm sido o combate ao jogo ilegal, que põe em risco muitos portugueses, o jogo responsável, a evolução do produto, a defesa dos direitos das operadoras e a informação dos diferentes públicos, que muitas vezes compreendem pouco e mal este subsetor do universo do entretenimento.
Como você avalia e mede o crescimento do mercado de jogos e apostas em Portugal nos últimos anos?
O mercado português tem tido uma evolução positiva, muito alimentada pela transição natural dos consumidores de jogo da oferta territorial para o online. Ainda assim, e também de forma expectável, a taxa de crescimento tem vindo a desacelerar progressivamente ao longo dos últimos anos e de forma mais vincada em 2025. Por outro lado, não podemos deixar de registar que os estudos anuais realizados pela Aximage para a APAJO mostram consistentemente que 40% dos utilizadores de jogo online ainda recorrem a plataformas ilegais. Este é de longe o maior desafio da regulação do mercado português, e esperamos que este ano possa existir uma evolução decisiva no combate ao fenómeno.
Estamos no ano de Copa do Mundo do Futebol. Seguramente será uma avalanche de possibilidades que as plataformas de apostas vão oferecer aos torcedores e usuários de jogos online. Quais os cuidados que crê que haverá durante o Mundial quanto à manipulação de jogos, questões do jogo responsável e possíveis ilegalidades?
A grande ameaça à integridade desportiva é, em Portugal e em todo o mundo, o jogo ilegal. Em mercados altamente regulados, como é o caso do português, com validação de identidade dos jogadores, registo de todas as apostas junto do regulador, sistemas de denúncias, etc., este fenómeno é controlado. Mas terá de haver uma atuação concertada a nível internacional para combater o jogo ilegal e os incentivos que a partir daí são criados para a manipulação de resultados. O jogo responsável é uma prioridade permanente das operadoras licenciadas portuguesas. O Mundial é apenas mais um grande evento desportivo, que será tratado com o habitual cuidado.
Qual a expectativa do desenvolvimento do mercado durante o Mundial em termos de concorrência entre as operadoras?
Esperamos acima de tudo que o Mundial de 2026 seja um momento de excelência desportiva e de fruição para os adeptos. Para aqueles que vão apostar durante o evento, a expectativa também é que possam disfrutar, sempre de forma lúdica e consciente. Do lado da indústria, cada marca terá a sua estratégia para o evento, e contamos que possam entregar uma boa experiência e diversão aos utilizadores.







