
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Natural de Curitiba e apaixonada por futebol, Débora Saldanha chegou a atuar profissionalmente como atleta, mas era muito jovem. Agora, 25 anos depois, ela diz: “Se hoje em dia é difícil o futebol feminino, imagina lá atrás”.
PAIXÃO MATERNA PELOS GRAMADOS
Sobre o esporte, ela revela: “O principal que me atrai no futebol acho que é a paixão. Eu aprendi com a minha mãe. Essa paixão do estádio, essa emoção que ganhando perdendo, eu acho que é algo que transcende”.
Ela possui uma visão clara e abrangente, entendendo o esporte como uma característica social e cultural, que reúne pessoas de etnias e realidades diferentes. Ela acredita que há muito trabalho pela frente para melhorar a sociedade e que o futebol pode ser uma força para a união e a solidariedade.
OS PRIMEIROS PASSOS
Saldanha conta que acabou indo para a área de Marketing e Comunicação, e agrega: “Em 2014, quando a Copa do Mundo veio para o Brasil, isso foi uma oportunidade para começar a movimentar”. A profissional fez Pós em Marketing Esportivo e Negócios Digitais.
Assim discorre sobre sua entrada definitiva no mercado futebolístico: “Comecei a bater na porta de clubes, a levar projetos. Isso foi abrindo portas para mim. Alguns eu consegui efetuar e efetivar dentro dos clubes, outros não, mas isso foi me dando experiência, networking. Eu fui conhecendo um pouco mais de como era de fato trabalhar com os clubes”.
A GRANDE VIRADA PARA MARCAR UM GOL
A virada definitiva veio quando, em 2018, Débora montou sua própria empresa. Atendeu startups, clubes e fiz um trabalho nas categorias de base do Londrina Esporte Clube, que tinha uma parceria com o clube de Curitiba. Ali ela começou a ter um maior atendimento, e trabalhou com uma startup do esporte do Rio de Janeiro.
“Eu vi que eu poderia estar dentro de um clube e ajudar a pensar um pouco mais em tecnologia e inovação. Antes da pandemia, não se falava em tecnologia e inovação no esporte. Com a pandemia, eu vi também uma outra janela de oportunidade”, assegura.
POR UMA INDÚSTRIA MAIS DEMOCRÁTICA
Nem tudo foi um mar de rosas, mas teve um final feliz. Ela afirma: “Eu montei um projeto, mandei para o Grêmio, participei de todo o processo eletivo, e fui escolhida para ser consultora de inovação. Isso em 2021. Eu fiquei um ano no Grêmio e, depois, fui convidada para vir para o Galo, vir para Belo Horizonte, para o Clube Atlético Mineiro e estou aqui já há 4 anos!”.
Na sua concepção, analisa: “Foi muito de entender as oportunidades, como o meu trabalho poderia impactar na indústria; um sonho de tornar a indústria esportiva no Brasil, principalmente na América do Sul, mais forte, mais democrática”. Já indo mais adiante, ela diz que sempre pensava no futuro, de ver novas formas de engajamento, de negócio.
O MOVIMENTO DAS MULHERES NO FUTEBOL
Quanto ao movimento atingir as mulheres e minorias, a executiva opina o seguinte: “A gente vê esse movimento muito grande há dois anos, principalmente. Começou até mais no jornalismo esportivo, de ver mais mulheres atuando na frente das câmeras como apresentadoras. Depois vieram as comentaristas, as narradoras”.
Em seu conceito, reflete: “Desde que eu estou há pelo menos cinco anos, eu sempre vi muito mulheres, não tanto em cargos de direção, mas algumas em cargos de gerência, e muitas coordenadoras. Então tem esse movimento de mulheres, tem outros movimentos também, mas de LGBT, de trazer mais de negros, que a gente tem muito poucos, e acho que essa é uma realidade para a parte administrativa”.
No entanto, vê uma luz no final do túnel: “Acho que na questão mulher, ainda tem um caminho, principalmente quando se fala em diretorias, e conselhos de clubes. A gente começa a ver esse movimento, e isso é muito importante, que as mulheres nesses cargos estão mais à vista. Ainda há muito preconceito de mulheres, principalmente em cargos de liderança”.
O GRANDE DESAFIO DE ENCONTRAR O EQUILÍBRIO
Quando questionada sobre o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, ela é realista: “O equilíbrio é o meu maior desafio hoje porque eu moro em Belo Horizonte, sou de Curitiba, minha família toda mora em Curitiba, então eu não tenho rede de apoio”.
No entanto, ela demonstra que está conseguindo atingir um balanceamento positivo: “Durante o dia, minhas filhas estão estudando, eu estou trabalhando. Tenho uma certa flexibilidade de horário de trabalho, por conta do meu cargo. Mas os horários livres, eu tento ao máximo me dedicar a elas, a fazer alguma coisa com elas”.
Quanto seus hobbies, ela comenta que são passear no parque é a leitura. Um desejo maior é aprender sobre cafés. Também diz que gosta muito de ouvir música, e que “nos momentos que eu estou em casa com minhas filhas, gosto de ouvir música e dançar com elas. Praticam esportes, vôlei, natação e skate”.
PERSONALIDADE, FAMÍLIA E PROJETOS
O que seus amigos, familiares e colegas de trabalho pensam dela? Ela responde: “Eles me enxergam como uma pessoa determinada por fazer acontecer, otimista nos resultados, na vida, que tem a versatilidade como diferencial na execução e criação de projetos, e de muita empatia, humana. Meus familiares destacam as mesmas, além de ser uma ótima mãe, de mulher guerreira e de fé, com olhar alegre e curioso pra vida”.
Em relação aos seus projetos futuros, Débora anuncia que deseja lançar um projeto pessoal, de ensino no esporte, de uma nova forma focada em mulheres. Seu papel é de tentar abrir as portas, abrir o caminho para essas mulheres jovens que querem atuar no esporte.
Finalmente, ela expressa: “Eu tenho minhas filhas, então eu quero deixar esse legado, principalmente para as meninas, e o que a gente faz que possa impactar no mercado. Quero lançar um projeto ainda esse ano referente a isso, e acho que esse é o caminho principal para continuar”.
Em uma linha
Um livro: “Originais: Como os inconformistas mudam o mundo” (Adam Grant, 2017)
Um filme: “O Senhor dos Anéis” (Peter Jackson, 2001)
Música favorita: ‘Clube da Esquina nº2’ (Milton Nascimento)
Um perfume: ‘Libre Flowers & Flames’, by Yves Saint Laurent
Um lugar que viveria: Sevilla, Espanha
Um lugar para passar férias: qualquer lugar com praia e as pessoas que eu amo
Um lugar para sair para jantar: ‘Caipira Xique’ (Belo Horizonte, Brasil)
Uma comida: qualquer massa ao pesto
Uma bebida: café
Um esporte: futebol
Um professor ou referência em sua vida: minha mãe, Jesus e Bernardinho










