
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Recentemente, você foi apresentada como a nova Presidente da LOTERJ. Como você descreveria sua trajetória profissional até aqui, o que espera aportar à entidade e quais os desafios nesta nova empreitada?
Ao longo da minha trajetória na administração pública, atuei em funções estratégicas voltadas à gestão, regulação e inovação. Nos últimos três anos, fui vice-presidente da LOTERJ, período em que, ao lado do então presidente Hazenclever Lopes Cançado, participei de iniciativas que colocaram a autarquia na liderança do mercado de jogos e apostas no Brasil. A LOTERJ foi a primeira autoridade lotérica do país a regulamentar as apostas de quota fixa (bets) e, mais recentemente, publicou uma das regulamentações mais robustas sobre Video Lottery Terminals (VLTs). Nesse contexto, destaco a realização, em sessão pública, da Prova de Conceito (POC) dos equipamentos, uma etapa técnica que permite validar, na prática, se os equipamentos, sistemas, software, hardware e todo ecossistema atendem aos requisitos de segurança, rastreabilidade e controle definidos pela LOTERJ, gerando maior segurança jurídica e proteção ao usuário antes da exploração da operação. Meu objetivo é dar continuidade a esse trabalho, fortalecendo a modernização da autarquia, ampliando receitas públicas com responsabilidade e consolidando o Rio de Janeiro como referência no setor.
O que significou para o mercado de jogos no Brasil a regulamentação? Como é para uma entidade como a LOTERJ estar inserida neste novo cenário?
A regulamentação do mercado de jogos no Brasil representa um marco extremamente relevante. Ela traz segurança jurídica, previsibilidade para as operadoras e investidores, além de maior proteção ao consumidor. Também abre espaço para a arrecadação de receitas que podem ser revertidas em políticas públicas. No entanto, o Brasil ainda precisa avançar nesse processo. Temos, por exemplo, o projeto de lei que trata da legalização dos cassinos físicos, em tramitação há décadas no Legislativo e que atualmente se encontra no Senado. A aprovação desse marco é fundamental para dar maior completude ao ambiente regulatório, atrair investimentos, gerar empregos e ampliar de forma significativa a arrecadação pública, sempre com responsabilidade e controle. Para uma entidade como a LOTERJ, esse novo cenário é estratégico. Passamos a atuar não apenas como operadoras de loterias tradicionais, mas também como agentes reguladores e indutores de desenvolvimento econômico dentro de um mercado que agora se estrutura de forma mais transparente e organizada. Isso posiciona a LOTERJ como protagonista em nível estadual, contribuindo para a construção de um ecossistema moderno e competitivo.
Quanto à promoção e políticas do jogo responsável, qual é a postura da instituição?
A promoção do jogo responsável é um pilar fundamental da atuação da LOTERJ. Entendemos que o crescimento do mercado deve caminhar lado a lado com a proteção dos usuários. Nossa postura é de implementar e exigir das operadoras práticas rigorosas de responsabilidade social, incluindo mecanismos de prevenção ao jogo compulsivo, ferramentas de autoexclusão, limites de apostas e campanhas educativas. Além disso, buscamos alinhamento com as melhores práticas internacionais, garantindo que o ambiente de iGaming seja seguro, ético e sustentável a longo prazo.
Quais são as suas expectativas para o desenvolvimento de um mercado brasileiro de jogos online dentro de uma estrutura lotérica? A LOTERJ tem alguma estratégia que aponte para o futuro neste sentido?
O mercado brasileiro de jogos online tem grande potencial de crescimento. O Brasil, porém, enfrenta um desafio cada vez mais urgente: avançar na consolidação desse setor. Dados do Ministério do Turismo e da ONU Turismo (organização à qual a LOTERJ foi recentemente convidada a se filiar) mostram o impacto positivo do jogo legalizado no turismo e em diversos outros setores da economia. Estamos falando de atração de investimentos, geração de empregos e efeitos diretos no desenvolvimento econômico e no retorno à sociedade. A LOTERJ está atenta a esse cenário e vem investindo em modelos regulatórios que conciliem inovação, controle e segurança. Vale destacar que a atividade lotérica tem como essência o compromisso social, com recursos revertidos em políticas públicas. Nesse contexto, avançar com responsabilidade na estruturação do setor não é apenas uma oportunidade, mas uma necessidade estratégica para o país. A LOTERJ seguirá atuando de forma proativa para garantir um ambiente regulado, seguro e sustentável, capaz de impulsionar o desenvolvimento econômico e ampliar a geração de benefícios concretos para a sociedade.







