
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Sua expertise abrange Governança, Gestão de Riscos, Programas de Compliance e PLD/FT, Privacidade e Proteção de Dados, e projetos ESG. Você pode descrever sua carreira e desempenho no clube?
O esporte sempre fez parte da minha vida, principalmente o futebol. Desde criança, acompanho e estudo o tema. Me formei em Direito em 2015 e, durante a graduação, estudava Direito Desportivo, mas sempre gostei de temas que envolvem gestão, governança e administração. Logo, quando me formei, abriu a primeira pós-graduação em Compliance do Brasil e fui aluno da primeira turma. Com um mês de curso, eu já tinha em mente que queria escrever sobre compliance no futebol. A dissertação foi a semente do livro lançado em 2018, chamado Compliance no Futebol: a tática da democratização, transparência e controles internos. Atuei em outras indústrias antes de vir definitivamente para o futebol. Em 2022, o Galo me chama para ser o executivo responsável pelo Departamento de Compliance do clube. Como eu tenho uma visão que integridade é muito mais que cumprir leis, tive apoio da diretoria para estruturar um modelo que abrange conformidade, ética e integridade, dialogando com as necessidades de respeito ao meio ambiente e direitos humanos.
Como você avalia e traça um comparativo das décadas anteriores onde os clubes de futebol não tinham tanta atuação junto à sociedade com causas sociais, políticas da agenda ESG? Como o futebol dialoga com essas questões de ambiente corporativo para agir em prol da sociedade?
Penso que, por muito tempo, nós esquecemos o que é de fato o futebol e deixamos crescer no esporte crenças sociais que deveríamos ter combatido. O esporte é a maior manifestação humana e o futebol no Brasil ajudou a divulgar demandas importantes como o combate ao racismo e elitismo. Se hoje vivemos uma grave crise social e ambiental e o futebol é o esporte mais praticado no mundo, tem tudo a ver ele fazer parte de um movimento de mudança. Nenhuma agenda política ou corporativa têm a mesma capacidade de engajamento que os clubes possuem, então podemos fazer a nossa parte e ainda convencer milhões de pessoas a fazerem o mesmo. Já estamos sentindo na pele os impactos econômicos, operacionais e humanos da crise climática. Passou da hora de agirmos.
As chamadas bets estão por toda parte no futebol, em placas nos estádios, uniformes dos jogadores, eventos ou intervalos dos jogos. No caso do Atlético-MG, tem a operadora Betano, uma das maiores e mais prestigiadas do mundo, que já era patrocinadora do clube, agora ampliada a parceria até o fim de 2024. Diante da regulamentação das bets no Brasil, como o Galo considera essa parceria para 2025?
Não posso dizer como será em 2025 porque não é a minha atuação na negociação dos contratos. O que posso dizer é que todo parceiro nosso é avaliado nos critérios de integridade e estamos satisfeitos com a Betano, tanto pela reputação e histórico como pela postura da empresa no dia a dia conosco. É uma companhia muito séria e que foi a primeira a entrar com o pedido de autorização, que tenho muita confiança que será deferido.
O futebol tem sido palco de diversos debates referentes à manipulação de resultados e envolvimento em atividades ilícitas ligadas às apostas esportivas. Como o clube atua nesta questão, mitigando riscos de ilegalidades e outros ilícitos?
Nesse caso de manipulação de resultado especificamente nós investimos na educação. Na nossa visão, atletas que se envolvem nisso no geral estão vulneráveis pela questão do desconhecimento total das regras e consequências. É nosso dever passar conhecimento para todos, seja com palestras, treinamentos, comunicados e atendimentos para tirar dúvidas. Além disso, deixamos um canal aberto de diálogo para reportarem qualquer tentativa de aliciamento. Fizemos treinamentos para o futebol feminino e masculino e temos um canal de denúncias preparado para receber qualquer situação do tipo.
Quais os planos do Galo para 2025?
Nosso plano é seguir evoluindo nossa governança. Esse ano, tivemos a felicidade de realizar nosso planejamento estratégico com os objetivos até 2030 e definimos nosso propósito que é “Lutar, honrar e orgulhar a Massa dentro e fora de campo”. Acho que traduz bastante o espírito resiliente do Galo e como temos interesse de sermos referência para nossa Massa não somente com resultados expressivos nos campeonatos, mas também como referência em boas práticas, com respeito as pessoas e ao meio ambiente.







