
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Conte um pouco sobre sua trajetória no setor gaming e qual seu rol na empresa?
Eu acompanho o setor de jogos desde 2021, quando assessorava um parlamentar membro do GT de Jogos criado para auxiliar na elaboração do parecer do então PL 442/91, (atual PL 2234/23) que permite os casinos físicos, o jogo do bicho e o bingo no Brasil. Depois que optei por sair do serviço público e voltar ao mercado de relações governamentais, continuei acompanhando a pauta para alguns clientes, dentre eles o Rei do Pitaco. Pouco tempo depois, recebi um convite para me integrar oficialmente à equipe da empresa, atuando na área de regulatório e public affairs. Minha tarefa se concentra no acompanhamento das discussões legislativas e regulatórias que impactam o setor, além de manter a interlocução com o poder público e outros stakeholders.
A Google recentemente viabilizou em sua plataforma apps de apostas. Qual sua opinião sobre esta medida e qual o impacto que acredita ter no segmento junto ao consumidor?
Essa decisão é extremamente positiva e está alinhada com o que o setor vem defendendo há tempos. Os aplicativos têm um papel estratégico na canalização das apostas para o ambiente legal. A gente sabe que, hoje, a maior parte dos apostadores já está no celular, então permitir que as operadoras licenciadas estejam nas lojas oficiais significa, na prática, levar o mercado regulado até onde o usuário já está. Do ponto de vista do consumidor, os aplicativos só apresentam vantagens: possibilitam a adoção de ferramentas que reforçam a sua segurança e fortalecem o controle por parte do Governo, permitindo que a fiscalização e o monitoramento sejam feitos de forma mais eficiente e integrada do que quando comparado à navegação via web. Outro ponto importante é que, como as apps precisam passar por uma aprovação prévia das lojas, só as operadoras legalizadas vão conseguir estar ali. Isso facilita muito para o usuário identificar quem está operando dentro da lei. No fim das contas, essa medida fortalece a proteção ao consumidor, dá mais credibilidade ao sistema regulatório e reduz a exposição das pessoas ao mercado ilegal. Nossa expectativa, agora, é de que a Apple também avance nessa direção, auxiliando nesse processo de canalização e controle do mercado.
Sobre a questão do jogo responsável, como proteger melhor ao consumidor no mercado de apostas?
A meu ver, a proteção do consumidor nesse mercado passa, necessariamente, pelo combate às casas ilegais. As plataformas não autorizadas, que representam cerca de 50% do mercado, operam sem qualquer compromisso com a segurança do consumidor, transparência ou mitigação de danos. Se não combatermos essa parcela significativa da operação, o consumidor permanecerá vulnerável. Dentro disso, entendo que a responsabilidade pela proteção do apostador não pode recair apenas sobre as operadoras. Embora tenham um papel central na implementação de práticas de jogo responsável (educação dos apostadores, imposição de limites de depósito, autoexclusão e monitoramento de comportamentos de risco), a promoção de um mercado mais seguro demanda uma atuação articulada e corresponsável entre todos os atores envolvidos no ecossistema de apostas, e não apenas das casas. É preciso envolver operadoras, meios de pagamento, redes sociais, influenciadores, clubes, plataformas de mídia, entre outros. Cada um, dentro do seu espaço de atuação, pode e deve contribuir para a canalização dos usuários ao mercado legal, onde há regras, fiscalização e um compromisso claro com a proteção do consumidor.
Em seu entender, quais seriam as medidas adequadas quanto ao combate do mercado ilegal de apostas?
Acredito que combate ao mercado ilegal de apostas deve se estruturar sobre três eixos estratégicos: fortalecimento dos órgãos reguladores, cooperação sistêmica entre todos os agentes do ecossistema de apostas e a disponibilização de aplicativos. Primeiramente, é necessário viabilizar o fortalecimento institucional do Ministério da Fazenda e do Ministério do Esporte, que ainda operam com recursos aquém das necessidades impostas pela dimensão do mercado ilegal. Isso implica garantir que os recursos arrecadados com outorga, gaming tax e taxa de fiscalização sejam efetivamente destinados a essas pastas. Por fim, como já reforcei aqui, é essencial o compartilhamento da responsabilidade entre todos os atores que compõem o ecossistema de apostas (como fornecedores de jogos e dados, instituições de pagamento, plataformas digitais, etc.) e a disponibilização de aplicativos com verificação da licença das operadoras como ferramenta de canalização ao mercado regulado.
Como o Rei do Pitaco encara o atual mercado regulamentado, as estratégias para se diferenciar da concorrência, e os projetos para 2025 neste novo cenário?
O Rei do Pitaco sempre defendeu a regulamentação como pilar essencial para a construção de um mercado de apostas seguro e alinhado com os direitos dos consumidores. Por isso, nossa entrada no mercado de apostas só ocorreu após a sanção da Lei nº 14.790/2023, refletindo nosso compromisso com a legalidade e sua postura de sempre buscar ser compliant. Nosso principal diferencial é ser uma empresa genuinamente brasileira, com um histórico consolidado no fantasy sport e uma compreensão profunda do comportamento do público brasileiro. Em 2025, seguiremos apostando nessa proximidade com os usuários como base para oferecer uma experiência que vá além do entretenimento, com foco em personalização, tecnologia e responsabilidade.







