
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Conte como nasceu a AMIG, seus objetivos, quais foram as profissionais que alavancaram a criação da entidade, e quantas atualmente formam parte da Associação?
A Associação de Mulheres da Indústria do Gaming (AMIG) nasceu da visão e coragem de seis mulheres do mercado de setor: Ana Bárbara Costa Teixeira, Ana Helena Pamplona, Bárbara Teles, Luciana Hendrich, Natalia Nogues e Teresa Caieiro. A AMIG, uma organização sem fins lucrativos pioneira no Brasil, tem como objetivo promover uma mudança de equidade de gênero na indústria, atraindo mais talentos femininos e aumentando a visibilidade e valorização das profissionais que já atuam nesse campo. Com isso, visamos apoiar, capacitar e desenvolver mulheres para que assim consigamos promover a diversidade e ampliação de oportunidades para todas nas diferentes áreas dos jogos. Hoje, a AMIG conta com 230 associadas.
Como foi o apoio de parcerias que abraçaram a causa na indústria de gaming e quais são elas hoje?
A AMIG foi muito bem recebida pela indústria, tanto por mulheres quanto por homens que fazem parte dela. Nós temos parceiros que colaboram financeiramente e tecnicamente com as ações e programas da AMIG. Alguns dos nossos parceiros são a Control F5, Clever Advertising e Ambiel Belfiore Gomes Hanna Advogados. Criamos os Selos AMIG, que são três categorias de certificações de reconhecimento corporativo às empresas da indústria de jogos e apostas online que promovem a ascensão feminina no setor. As empresas podem progredir entre os Selos: Rainha (Ouro), Dama (Prata) e Jogadora (Bronze). Cada categoria reflete diferentes níveis de engajamento e ações adotadas pelas companhias, que podem avançar conforme melhoram suas práticas de equidade em todos os âmbitos da organização.
De que forma você vê a representatividade das mulheres atualmente em cargos de liderança no setor? Há uma estatística comparativa de como era antes e como está agora?
É um setor que tem lideranças femininas importantes e que se destacam muito, talvez por isso somos levados a achar que existe um número alto de mulheres em cargos de liderança, mas quando comparado a liderança masculina, temos uma desvantagem clara. Segundo a pesquisa da All-Index “All-Index 2022/23 Annual Report”, hoje, apenas 28% dos cargos executivos da indústria global do gaming pertence às mulheres. A criação da AMIG é recente. Foi fundada em 5 de fevereiro de 2024 e oficialmente apresentada ao mercado no dia 7 de março, um dia antes do Dia Internacional da Mulher. Por esse motivo, ainda não foi possível mensurar o impacto das ações na promoção do aumento da liderança feminina. Mas é uma pesquisa nacional que desejamos fazer e estamos procurando por colaboradores, para termos os dados de quem são as mulheres e que cargos elas ocupam no setor de gaming. Com esses dados em mãos, conseguiremos orientar melhor nossas ações de desenvolvimento e promoção da diversidade.
Como foi a criação dos comitês setorizados pela Associação e quais os objetivos e alcance junto às profissionais do segmento?
Com equipe 100% feminina, a criação dos comitês setorizados da AMIG marcou um avanço e evolução na estruturação da nossa governança. Esses espaços proporcionarão um ambiente dedicado a discutir e abordar os desafios específicos enfrentados pelas mulheres neste setor em expansão, além de propor soluções concretas que promovam a participação feminina no mercado de gaming. Os comitês têm objetivos multifacetados que visam a garantir um cenário inclusivo, igualitário e empoderador na indústria de jogos e apostas. Os comitês se concentram em diversos campos relevantes, desde questões de igualdade de gênero no local de trabalho até oportunidades de desenvolvimento profissional específicas para mulheres.
A G&M News é uma mídia do segmento gaming pioneira em promover as políticas da agenda DEI em suas publicações. Também possui uma seção especialmente dirigida à divulgação de mulheres profissionais da indústria. Além disso, em seus eventos, busca ampliar e dar voz às mulheres executivas do setor, como no recente G&M Eventos Peru, onde contou com Natalia Nogues, entre outras. Qual a importância de oferecer estes espaços e de valorização e reconhecimento das mulheres na indústria gaming?
Esses espaços e ações promovidas pela G&M News são extremamente importantes para a indústria de gaming. Além dela, beneficiam não só as mulheres, mas também a indústria como um todo, criando um ambiente mais justo, diverso, produtivo, que reconhece o talento e impulsiona a participação de mulheres. Como ação prática, coloco a G&M News como um modelo a ser seguido pelo resto da mídia na criação de uma cultura e imagem corporativa socialmente responsável e comprometida com as questões de igualdade, gênero e inovação.
Você pode antecipar os futuros planos da AMIG?
Como planos para os próximos anos, espera-se que esses comitês desempenhem um papel crucial na condução de iniciativas e políticas que promovam a igualdade de oportunidades e o progresso das mulheres na indústria. Além disso, eles têm o potencial de inspirar outras organizações do setor a adotar abordagens semelhantes e a comprometerem-se com a criação de ambientes de trabalho mais inclusivos e equitativos.












