
Por Tatiana Martins, jornalista da G&M News.
O mercado de iGaming cresce em ritmo acelerado e cada vez mais operadoras buscam soluções em nuvem. Quais os principais benefícios da adoção do multicloud para casas de apostas e provedores de jogos?
Estou responsável pela unidade de negócios de Cibersegurança da Think IT e atuo diretamente na missão de ajudar nossos clientes a navegarem por mercados complexos e de alto risco como o de iGaming. Quando olhamos para as casas de apostas, a primeira coisa que salta aos olhos não é a tecnologia, mas o negócio em si: é um mercado de alto volume, com picos de demanda imprevisíveis e, sobretudo, que lida com a confiança do jogador. Nesse cenário, o multicloud não é uma opção técnica; é uma estratégia de negócio. O benefício mais palpável é a resiliência. Em um setor onde cada segundo de inatividade significa perda de dinheiro e de reputação, não podemos nos dar ao luxo de ter toda a operação dependente de um único provedor. O multicloud garante que, se um deles tiver uma falha, sua operação de apostas simplesmente não para. Sua empresa continua funcionando e sua marca permanece intacta. Além disso, temos a redução de custos e a liberdade estratégica. Ao utilizar múltiplos provedores, você tem a flexibilidade de escolher a solução mais competitiva para cada necessidade. Isso elimina a dependência de um único fornecedor e nos dá poder de negociação para garantir que estamos sempre pagando o preço justo. O mais importante é que permite que nossos clientes inovem mais rápido, usando a melhor tecnologia de cada nuvem, sem amarras.
Operadoras lidam diariamente com grandes volumes de dados sensíveis, como informações financeiras e pessoais dos jogadores. Que práticas de cibersegurança são indispensáveis para proteger esses dados em um cenário multicloud?
Essa é a pergunta-chave. A mesma flexibilidade que o multicloud oferece pode se tornar o maior risco se não for gerenciada corretamente. O maior perigo é a perda de visibilidade e controle. Estamos falando de dados financeiros e pessoais de milhares de jogadores, que são o principal alvo dos cibercriminosos. A falta de uma gestão unificada de identidade e acesso -ou seja, quem pode acessar o quê e onde- é a principal vulnerabilidade. É fundamental ter uma abordagem unificada, com uma central de segurança cibernética protegendo a sua marca, ativos, dados e serviços de forma ininterrupta e com máxima eficiência. A segurança precisa ser tratada como uma camada central, não como um apêndice. É por isso que defendemos a adoção de uma ‘mesa de controle’ única para a segurança. Uma única plataforma de serviços onde o gestor, independentemente da tecnologia, pode ver todas as ameaças, gerenciar acessos e garantir a conformidade em todas as nuvens de uma só vez. Nossas práticas se baseiam em três pilares: proteção, controle e visibilidade. Isso significa que todos os dados devem ser criptografados, tanto em trânsito quanto em repouso, como se estivessem em um cofre digital. O controle de acesso deve ser rígido e centralizado, garantindo que apenas as pessoas certas tenham acesso ao que precisam. Finalmente, o monitoramento precisa ser constante e em tempo real, usando análise de dados para detectar qualquer anomalia.
Como os reguladores de mercados como o brasileiro, que está em processo de regulamentação das apostas online, podem influenciar nas estratégias de segurança em nuvem das operadoras de iGaming?
A regulamentação brasileira é, sem dúvida, o fator mais relevante no momento. Ela eleva a cibersegurança de uma questão técnica para uma questão de sobrevivência do negócio. As novas regras preveem que as operadoras terão que estar preparadas para auditorias rigorosas, além da possibilidade de exigirem a residência de dados no país. Isso impacta diretamente a estratégia de nuvem, pois você terá que escolher provedores que ofereçam infraestrutura local e que possam comprovar a conformidade a cada passo. O não cumprimento das regras pode resultar em multas de até R$ 2 bilhões, o que torna a segurança não um custo, mas uma blindagem financeira para o seu negócio.
Olhando para o futuro, quais tendências em cibersegurança e multicloud você acredita que terão maior impacto no setor de iGaming nos próximos anos?
Acredito que o futuro se apoia em pilares como Inteligência Artificial, Zero Trust e Finops. A inteligência artificial vai atuar como um ‘vigia’ proativo, que aprende o comportamento normal da plataforma e, com base nisso, identifica fraudes, ataques e atividades maliciosas em tempo real. Isso permitirá uma defesa muito mais rápida e eficaz. O conceito de Zero Trust (‘confiança zero, sempre verifique’) será o novo padrão. Em vez de confiar em usuários ou redes, cada acesso, cada transação, será autenticado e verificado. Isso é especialmente importante em um ambiente multicloud, onde não há um perímetro de segurança único. Finops garantira o controle de custos, o melhor uso dos recursos, sem desperdício, acompanhamento online das despesas e revisão constante como modelo de governança. Nossa proposta é ser o parceiro estratégico que irá guiá-los por esse caminho, provendo não apenas a segurança e menor custo, mas a tranquilidade para que possam focar no que realmente importa: o crescimento e a inovação do seu negócio.







