
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Qual foi a origem e o desenvolvimento da sua empresa para alcançar o reconhecimento atual?
A Betshield nasceu com uma visão muito clara: o jogo responsável não pode ser apenas comunicação ou política institucional. Precisa ser algo operacional, baseado em tecnologia e capaz de gerar evidências concretas de atuação preventiva. Desde o início, focamos no desenvolvimento de infraestrutura de monitoramento comportamental que permite acompanhar padrões de jogo ao longo do tempo, identificar mudanças de comportamento e gerar alertas operacionais para que as operadoras possam agir antes que o risco escale. Essa abordagem se tornou ainda mais relevante com a regulamentação do mercado brasileiro. A Portaria nº 1.231/24 deixa claro que operadoras devem monitorar comportamento e adotar medidas preventivas diante de sinais de risco. Nosso trabalho está exatamente nesse ponto: transformar essa obrigação regulatória em um sistema tecnológico capaz de registrar e demonstrar diligência operacional. O reconhecimento que temos recebido vem justamente dessa combinação entre tecnologia, visão estratégica e alinhamento com o novo ambiente regulatório.
Que análise você realiza sobre as características do evento BiS SiGMA no São Paulo?
O BiS SiGMA deste ano deixou claro que o mercado brasileiro entrou definitivamente em uma nova fase. Nos anos anteriores, o foco era crescimento e aquisição de usuários. Agora, o centro da conversa passa a ser sustentabilidade do mercado regulado. Compliance, integridade operacional e jogo responsável apareceram com muito mais força nas discussões; não apenas como exigência regulatória, mas como elemento central para garantir a legitimidade do setor perante a sociedade e os formuladores de políticas públicas. Outro ponto que ficou evidente foi o amadurecimento do ecossistema. Houve mais empresas brasileiras desenvolvendo tecnologia própria, mais discussões sobre governança e uma preocupação crescente com a diferenciação entre operadoras reguladas e plataformas ilegais. O mercado brasileiro continua sendo um dos mais promissores do mundo, mas agora começa a entender que crescimento sustentável exige responsabilidade, transparência e tecnologia.
Qual a sua percepção sobre o presente e o futuro da indústria de jogos e apostas no Brasil?
O Brasil está construindo um dos marcos regulatórios mais avançados do mundo no que diz respeito à proteção do jogador. A legislação e a Portaria nº 1.231/24 estabeleceram diretrizes importantes para monitoramento de comportamento, ferramentas de controle e mecanismos de prevenção. O verdadeiro desafio é implementar sistemas capazes de identificar sinais de risco antes que o comportamento se torne problemático. Isso exige tecnologia, análise de dados e uma mudança cultural dentro da indústria. Jogo Responsável precisa deixar de ser apenas um discurso institucional e se tornar parte da infraestrutura operacional do mercado.
Qual foi o tema do painel em que você participou na feira mencionada anteriormente?
O painel abordou um tema extremamente relevante: a relação entre saúde mental e jogo responsável no contexto do crescimento do mercado de apostas. Minha contribuição foi trazer a perspectiva de que o debate precisa avançar da reação para a prevenção. A tecnologia hoje permite monitorar padrões de comportamento em tempo real e identificar sinais de risco muito antes de qualquer diagnóstico clínico. Se a indústria aprender a utilizar esses dados de forma responsável, muitas situações de comportamento problemático podem ser evitadas. A mesa foi rica justamente porque reuniu diferentes visões. Esse tipo de diálogo é fundamental para construir um modelo equilibrado que proteja o jogador em toda sua jornada.
Quais serão as principais áreas de trabalho da empresa para o restante desta temporada?
Esse 2026 será um ano muito importante para a Betshield. Estamos focados em expandir a adoção de tecnologia de monitoramento comportamental entre operadoras do mercado regulado brasileiro, ajudando as plataformas a transformar jogo responsável em um sistema efetivamente operacional e alinhado às exigências regulatórias. Outro ponto central será o fortalecimento de iniciativas de cooperação institucional com associações do setor e parceiros estratégicos. Acreditamos que a proteção ao jogador é um tema que precisa ser tratado de forma coletiva pela indústria. Em relação à Copa do Mundo de 2026, sabemos que grandes eventos esportivos naturalmente aumentam o volume de apostas e a intensidade de uso das plataformas. Isso torna ainda mais importante a existência de mecanismos de monitoramento capazes de acompanhar mudanças de comportamento e identificar padrões de risco durante esses períodos de maior atividade. Nosso objetivo é justamente ajudar o mercado a atravessar esses momentos de grande volume com segurança, responsabilidade e confiança.







