
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
A sua experiência é bastante extensa no setor iGaming. Poderia nos resumir a sua trajetória profissional?
Eu entrei no mundo do jogo, do iGaming, quando a Internet começou a tomar mais força no mundo, e sobretudo aqui onde eu moro em Israel. No ano 1999/2000, já começaram a criar e desenvolver as diferentes empresas de startup de jogo online. Eu aprendi muito, trabalhando com um grupo de gente. Desde aí, eu fui crescendo, e com o passar dos anos, comecei a entrar em empresas maiores e mais importantes, desde a ter trabalhado em uma empresa que era parte do grupo Playtech, que tinha muitos B2C, até depois passar a 888, onde eu trabalhei 12 anos. Desenvolvi uma carreira muito completa, começando pelo tema da afiliação para a América Latina e para a Espanha, trazendo acordos não somente de aquisição online, mas também de marketing offline a nível de contratação de embaixadores ou também já no mercado brasileiro. Fui quem levou a 888 desde zero no mercado do Brasil e da América Latina, onde desenvolvemos uma atividade muito interessante, crescendo a marca em três anos a números muito bons, e onde fizemos coisas muito inovadoras no Brasil. Formamos o time, tivemos embaixadores, jogadores de poker. Além disso, fomos a primeira marca que começou a realizar torneios físicos de poker; não em lugares comuns, mas num estádio de futebol, no Mineirão. Também depois, na Argentina, fomos os primeiros que fizemos as World Series no Casino de Iguazú. Tivemos um embaixador muito importante como o Denilson, então foi criar desde zero o mercado, e chegamos a muito bons números. Depois disso, em 888, já voltei ao tema mais global de aquisição. Ao sair de 888 em 2020, em pouco tempo, me associei aos meus parceiros argentinos. Na Inventa Ventures, fazemos uma espécie de consultoria, mas também nos enfocamos no mundo da afiliação e o trabalho de aquisição, tanto para as marcas B2C como também em buscar diferentes meios ou canais de aquisição como grandes influencers, e trazer os canais de afiliação para alguns B2C em diferentes lugares da América Latina. Ainda nos ocupamos de opções de patrocínio e diferentes fontes de tráfego para converter e levar jogadores de diferentes B2Cs.
Qual seria seu foco principal na indústria?
Depois de tantos anos de liderar projetos de aquisição online e afiliação, e também o desenvolvimento e abertura de mercados na América Latina, esse é o meu enfoque principal. Dentro da venda, buscamos oportunidades, gerando serviços para diferentes produtos ou marcas que querem se estabelecer na América Latina. A várias delas levamos a afiliação e aquisição. Também temos nossas próprias networks de afiliação. Trabalhamos com diferentes afiliados de todas as partes do mundo, mas sempre focalizando no mercado da América Latina. Estamos colaborando com grandes influencers, levando-os ao mundo do iGaming. Tentamos que os influencers transladam um pouco do que é a aquisição online, trabalhando também por resultados. Além disso, em nossos serviços de consultoria, ajudamos as marcas a buscar oportunidades de trabalhar com grandes mídias, em busca de embaixadores, de patrocínios em diferentes mercados. Também estamos ajudando alguns meios de comunicação a abrir seus canais de jogo online dentro de seus sites. Nós temos o enfoque de oferecer um serviço que possa criar diferentes canais ou seções de jogos dentro de seus conteúdos para poder dar um valor adicional as operadoras de jogos.
Qual é a sua visão do mercado brasileiro, especialmente neste momento de regulamentação do setor no país latino-americano?
A América Latina leva nesses últimos 2, 3 anos um cambio importante porque é um mercado que começa a madurar. Os dois países com mais história regulatória são Colômbia e México. Agora, vai haver uma ampliação na regulação em diferentes países, sobretudo no Brasil, que começa em 2025. Devemos adicionar Peru, Chile e Argentina. Apesar de que é um mercado que já começou a trabalhar há muitos anos, LatAm ainda não está tão maduro como o mercado europeu, já que a nível da aquisição ou desenvolvimento da indústria, o que tem a ver com o marketing, não há uma grande variedade de sítios especializados em gambling na região. O maior mercado da América Latina, que é o Brasil, quer avançar nas regulações a partir de 2025. Vai dar um golpe muito, muito grande, porque vai significar um enorme crescimento do mercado, já que há muitas marcas interessadas no país. A competência vai ser tremenda, porque é muito difícil que em um mercado possam operar cem marcas. Só vão sobreviver as que melhor fazem o trabalho, e as maiores, quer dizer, as que tenham mais poder econômico, ou sejam capazes de entender o mercado brasileiro o melhor possível. Nesse sentido, nos últimos anos, o mercado do Brasil tem tido uma presença muito forte de marcas locais, que competiram com as marcas internacionais. No tema da localização, as marcas locais sempre foram mais sábias para trabalhar no mercado brasileiro. Com muita competência, o valor dos jogadores é baixo, e falta muito volume para adquirir e fazer bons números. Então temos que ver como se desenvolve o mercado regulador, mas obviamente vai gerar muita expectativa.
Quais são seus objetivos e em qual mercado você se concentra para 2025?
Acho que o setor aponta para um ordenamento mais amplo. Na Europa, o desafio é para as marcas como tentar seguir adquirindo e crescendo em mercados onde a regulação é muito mais estrita. Nos mercados da América Latina, a chave está em ver como os mercados vão entrando nas regulações. A regulação que está em 2025, tanto no Brasil como no Peru, implica um reto importante. Depois, há dois mercados, um que não se pode tirar os olhos, que é o mercado EUA, onde cada vez há uma maior ampliação dentro das grandes empresas. Isso pode significar uma grande mudança, tanto para os meios de gambling no mercado americano quanto para os meios de online ou de publicidade offline, onde essas empresas tentam trabalhar de forma mais agressiva. Além disso, o mercado emergente, que está crescendo cada vez mais, é África. Vários países estão começando a desenvolver números importantes com marcas grandes ou locais. Outro mercado que também tem certa expectativa para progredir muito é Índia. Acho que, basicamente, o interessante é que o gambling continua sendo uma indústria muito dinâmica, que sempre se adapta a diferentes realidades, seja dos movimentos econômicos como os legais em cada um dos países ou regiões. É um setor muito forte, que continua crescendo, e que se vai adaptando às novas necessidades dos meios de comunicação, da forma de adquirir, dos diferentes canais de aquisição, seja as redes sociais, seja nos meios online tradicionais, na busca do público mais jovem. A indústria iGaming segue viva, e vai continuar sendo e estando viva por muitos anos.







