
Por Tatiana Martins, jornalista na G&M News.
O setor de iGaming é dinâmico e muda muito rápido. O que mais lê atraiu em trabalhar com AML nesse mercado, em comparação com outras áreas do sistema financeiro?
Tive o primeiro contato com iGaming em 2023, quando trabalhava com monitoramento transacional em uma intermediadora de pagamentos que possuía um grande player do ramo de apostas esportivas no portfólio de clientes. Desde então, nutri um grande interesse por me aproximar cada vez mais deste setor, tanto pelo ritmo dinâmico com o qual me acostumei durante a carreira quanto pela interseção com o mundo dos esportes, que tenho como hobby.
Ser analista de AML envolve lidar com detalhes, padrões e muitas vezes decisões críticas. Quais habilidades pessoais você considera essenciais para alguém se destacar nessa função?
Acredito que, para se destacar como analista de AML, as principais características necessárias são a atenção aos detalhes, a capacidade de analisar padrões complexos e o pensamento crítico. Esses atributos são fundamentais para identificar sinais de risco ou inconformidade que podem passar despercebidos em uma análise superficial. Além disso, o pensamento crítico permite não apenas seguir procedimentos, mas também questionar e contextualizar informações, chegando a conclusões mais assertivas e embasadas. Outro ponto importante é a comunicação clara e assertiva, já que muitas vezes precisamos traduzir análises técnicas em relatórios compreensíveis para diferentes áreas ou níveis da organização. Também destaco a resiliência e a integridade profissional, pois trabalhamos diariamente com informações confidenciais e sensíveis, o que exige responsabilidade e ética constantes. Por fim, habilidades de organização e gestão de prioridades são essenciais, já que o volume de dados e demandas costuma ser alto, e a tomada de decisão precisa ser feita de forma estruturada e ágil.
Dentro do setor de apostas online, quais são os principais desafios que você encontra na prevenção à lavagem de dinheiro?
Para mim, os principais desafios são: o ambiente regulatório em constante desenvolvimento em um mercado ainda recém regulado, o volume muito grande de transações com padrões distintos do que costumamos verificar em outras indústrias, a identificação e verificação de usuários considerando o tamanho e heterogeneidade do público-alvo do mercado de apostas no Brasil, e a existência do mercado ilegal. Ainda detém uma parcela significativa do mercado e atrapalha bastante os esforços das operadoras regularizadas, já que atuam fora do ambiente controlado e sem os mesmos encargos suportados.
A Kaizen Gaming está presente em diversos países. Essa experiência internacional traz aprendizados que podem ser aplicados no contexto brasileiro? Algum exemplo que o marcou?
Sem dúvida. Trabalhar em uma empresa como a Kaizen Gaming, que está presente em diversos países, proporciona muito aprendizado, especialmente sobre a maturidade regulatória de mercados mais avançados. Em alguns países europeus, a regulação já é bastante avançada, com diretrizes estabelecidas e protocolos de cooperação ativa entre autoridades e operadoras. Através desses exemplos, é possível antecipar futuros desafios, buscar pré-estabelecer processos mais robustos de compliance e adaptar padrões internacionais de conformidade para a realidade local.
Como você enxerga o papel do compliance e da análise de AML na evolução do iGaming nos próximos anos?
Eu devo colocar o compliance e a análise de AML como peças centrais no desenvolvimento sustentável do setor de iGaming. Com o crescimento exponencial do setor, é natural que as atenções do público e dos reguladores se voltem para as operadoras, que devem garantir a existência de controles rígidos que resultem em transparência, integridade e, acima de tudo, em confiança por parte do mercado no trabalho que vem sendo feito. Há também um importante papel a ser desempenhado na integração da tecnologia na prevenção, tanto da inteligência artificial quanto das análises preditivas na identificação de comportamentos e padrões suspeitos em escala. Aqui entra principalmente o fator estratégico, no apoio às empresas para garantir o crescimento seguro e sustentável.







