
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Você é um executivo reconhecido internacionalmente. Conte um pouco sobre sua trajetória profissional, sua entrada no mundo do gambling e os desafios do cargo que ocupa.
Minha trajetória profissional no setor de jogos e apostas ultrapassa duas décadas e começou em um momento em que o Brasil ainda era um mercado pouco explorado e bastante desafiador para o iGaming. Entrei no universo do gambling muito cedo, trabalhando com operadoras internacionais e, desde o início dessa jornada, contei com a BetConstruct como parceira tecnológica estratégica. A empresa teve um papel fundamental em ajudar a tropicalizar o desenvolvimento da tecnologia, adaptando plataformas globais às particularidades do mercado brasileiro. Naquele período, operar no Brasil exigia criatividade, resiliência e profundo entendimento do comportamento local, já que não havia um ambiente regulatório claro. A parceria com a BetConstruct foi decisiva para construir soluções tecnológicas flexíveis, escaláveis e alinhadas à realidade do país, permitindo que projetos pioneiros ganhassem forma e sustentação ao longo do tempo. Participei ativamente de algumas das primeiras iniciativas que ajudaram a estruturar o mercado brasileiro, atuando como ponte entre empresas globais e a realidade local. Essa vivência me proporcionou uma visão ampla sobre operações, gestão de risco, inovação tecnológica e crescimento sustentável. Hoje, como Vice President da VBET Brasil, meu papel é altamente dinâmico e estratégico. Envolve expansão de mercado, alinhamento regulatório, posicionamento de marca e desenvolvimento de parcerias sólidas. Um dos principais desafios é equilibrar inovação e velocidade com conformidade, responsabilidade e visão de longo prazo. O Brasil é um mercado de enorme potencial, mas exige execução consistente, estrutura robusta e decisões bem fundamentadas para crescer de forma sustentável.
A companhia é uma importante patrocinadora do BSOP – Campeonato Brasileiro de Poker. Qual o significado desse tipo de evento para o continente, o alcance junto aos jogadores e o retorno gerado para a empresa?
O BSOP vai muito além de um torneio de poker. Ele representa uma plataforma estratégica e cultural para todo o ecossistema de jogos da América Latina. Como a maior série de poker do continente, o evento reúne jogadores profissionais, amadores, influenciadores e uma audiência altamente qualificada, fortalecendo a credibilidade do poker como esporte da mente e criando um forte senso de comunidade. Para a VBET, esse tipo de patrocínio faz parte de uma estratégia mais ampla de posicionamento de marca no Brasil. Além do BSOP, a VBET também é patrocinadora do Botafogo no Campeonato Brasileiro, um dos clubes mais tradicionais e emblemáticos do futebol nacional. Estar presente tanto no poker quanto no futebol permite uma conexão direta com públicos distintos, mas igualmente engajados, ampliando significativamente o alcance da marca. Esses eventos oferecem visibilidade que vai muito além do espaço físico. Envolvem transmissões ao vivo, cobertura digital, redes sociais e mídia internacional, gerando exposição contínua e relevância ao longo do tempo. O retorno para a empresa não se mede apenas em aquisição imediata de jogadores, mas principalmente em construção de marca, confiança e relacionamento de longo prazo com o público brasileiro.
Como você avalia o mercado brasileiro de jogos e apostas no atual cenário regulamentado, em comparação com o período anterior, sem regulamentação?
A regulamentação representa um divisor de águas para o mercado brasileiro. Em comparação com o cenário anterior, hoje existe muito mais clareza jurídica, maior proteção ao consumidor e um ambiente competitivo mais organizado. Isso é positivo para operadoras, jogadores e para o próprio Estado. Houve uma evolução clara em aspectos como compliance, práticas de jogo responsável e transparência operacional. A regulamentação elevou o nível do mercado e reduziu a atuação de empresas oportunistas, criando um ecossistema mais saudável. Por outro lado, ainda há pontos que precisam evoluir. Processos regulatórios devem buscar eficiência e previsibilidade, com diálogo constante entre autoridades e operadoras. Questões como carga tributária, licenciamento e diretrizes operacionais precisam ser equilibradas para não inibir inovação e competitividade. A regulamentação é um processo contínuo, e o Brasil está avançando na direção correta.
Qual sua perspectiva para o mercado brasileiro em 2026? Quais são os planos da empresa para o Brasil?
Minha perspectiva para o mercado brasileiro em 2026 é extremamente positiva. O Brasil reúne todos os elementos para se tornar um dos maiores mercados regulados de jogos do mundo: escala, alta digitalização, forte cultura esportiva e, agora, um arcabouço regulatório que permite planejamento de longo prazo. Para a VBET, o Brasil é uma prioridade estratégica. Nosso foco é construir uma operação sólida e localmente adaptada, combinando tecnologia global com profundo conhecimento do mercado brasileiro. Isso inclui investimentos contínuos em performance de plataforma, ferramentas de jogo responsável, parcerias estratégicas e fortalecimento da marca. Embora não seja possível antecipar todos os lançamentos, posso afirmar que a VBET está trabalhando em novos produtos, experiências localizadas e colaborações estratégicas pensadas especificamente para o público brasileiro. Nosso objetivo é crescer de forma sustentável e consolidar uma posição de liderança baseada em credibilidade, inovação e visão de longo prazo.







