
Por Tatiana Martins, jornalista na G&M News.
A Liga Portugal tem desempenhado um papel pioneiro ao adotar os padrões universais de boa governança da SIGA e obter a certificação SIRVS. Como esse reconhecimento influenciou a evolução interna da Liga e sua relação com os clubes?
A adoção dos padrões da SIGA nunca ficará apenas no plano formal. Internamente, proporciona revisão de processos, clarificação de responsabilidades e criação de rotinas de controlo. Isso sente-se, por exemplo, na forma como as decisões são documentadas e na previsibilidade dos regulamentos. Para as Sociedades Desportivas, este caminho traduz-se também numa relação mais clara e estável, com regras conhecidas à partida e um alinhamento crescente em torno de valores comuns.
O Sport Integrity Matchday envolve todos os clubes das duas principais ligas portuguesas, reforçando uma mensagem coletiva de ética e transparência. Na sua visão, qual é o impacto desta iniciativa no comportamento dos atletas, dirigentes e torcedores ao longo da temporada?
Acreditamos que o Sport Integrity Matchday assume um impacto pedagógico e simbólico muito relevante ao envolver todas as Sociedades Desportivas presentes nas competições profissionais (Liga Betclic e Liga Meu Super), numa mensagem coletiva e inequívoca. A iniciativa contribui para reforçar a consciência dos atletas e dirigentes sobre a importância do comportamento ético, da rejeição de qualquer prática ilícita e da defesa da verdade desportiva. Para os adeptos, transmite uma mensagem clara de compromisso institucional, ajudando a fortalecer a confiança nas competições e no seu desfecho dentro das quatro linhas.
A assinatura do “Charter for Integrity” pelos capitães representa um compromisso simbólico, mas também estratégico. De que forma esse documento se traduz em práticas concretas dentro das competições e no ambiente da Liga Portugal?
A assinatura da Carta pela Integridade pelos capitães de todas as equipas ganha força porque são os próprios líderes a passar uma mensagem de ação conjunta em prol do futebol. O compromisso reflete-se em gestos simples e concretos, desde a postura perante árbitros e jogadores adversários, até à forma como lidam com momentos de maior tensão competitiva. Além disso, os capitães tornam-se veículos naturais das mensagens de integridade junto dos companheiros de equipa, reforçando este tipo de ações de sensibilização.
A parceria entre a Fundação do Futebol – Liga Portugal e a SIGA tem se fortalecido ano após ano. Quais são os próximos passos dessa colaboração e que novas ações ou políticas a Liga pretende implementar para elevar ainda mais os padrões de integridade no futebol português?
A parceria com a SIGA tem evoluído no sentido de avançar da mensagem para a prática continuada. Os próximos passos passarão, certamente, por reforçar ações de formação junto de atletas e dirigentes. Exemplo de isso termos acolhido recentemente o Fórum “Saúde e Integridade no Alto Rendimento”, sempre no sentido de melhorar ferramentas de prevenção e deteção de riscos e aprofundar a monitorização de comportamentos que possam pôr em causa a verdade desportiva.
Em um momento em que o futebol global enfrenta desafios relacionados à manipulação de resultados, apostas ilegais e crises de confiança, como a Liga Portugal pretende continuar liderando pelo exemplo e inspirar outras ligas a seguir o mesmo caminho?
A Liga Portugal aposta em liderar pelo exemplo através da coerência entre discurso e prática, envolvendo todas as Sociedades Desportivas, comunicando de forma transparente com os adeptos e reforçando publicamente compromissos como a Carta pela Integridade. Ao mostrar que a integridade não é apenas um conceito abstrato, mas algo vivido por todos em cada jogo, a Liga Portugal afirma um modelo que pode ser replicado e valorizado noutras realidades do futebol europeu. Importa ainda referir que tentamos sempre agir de forma articulada, por isso, recentemente reunimos com as entidades competentes, desde a Procuradoria-Geral da República, a partidos políticos, passando por forças de segurança e a Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD).








