
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Uma jovem capacitada e promissora profissional, Vitória Schelbauer Trentin é formada no curso de Direito com bolsa 100% pelo PROUNI, tem uma pós-graduação em Direito Civil e Empresarial pela PUC/PR, e atualmente está cursando um LLM em Direito Empresarial no Insper. Ela percorreu um trajeto de desafios e muitas conquistas. Seus trabalhos anteriores consistem, antes mesmo de ter concluído a graduação, passando em um processo seletivo de estágio em um banco local em Curitiba, onde começou a atuar no jurídico, na parte contratual (consultiva).
Ela completou 2 anos e 8 meses de escritório em Curitiba/PR. Posteriormente, ela teve a oportunidade de integrar a equipe de Direito Corporativo na unidade do escritório em São Paulo. Já estando em São Paulo, ela participou, por pouco mais de um mês, da elaboração de alguns treinamentos de compliance para um cliente atuante na área de jogos e apostas, que estava enfrentando o processo de licença. “A parte dos treinamentos da qual participei era focada, especialmente, em Jogo e Publicidade Responsável. Ainda que eu não tivesse dimensão do que o setor já estava se tornando e do que enfrentaríamos em 2025, a participação nesse trabalho despertou meu interesse e a vontade de atuar exclusivamente nessa área”, diz.
DO NETWORKING AO PROCESSO SELETIVO NO SETOR
Mas como realmente ela chegou à sua empresa atual, Rei do Pitaco? (agora ocupa o cargo de Legal Advisor no Compliance). Deixemos que a própria nos revele todo processo: “Ainda em 2021, quando estava na faculdade, participei de algumas competições em Direito Tributário e fui oradora na final. O tema da competição era a tributação dos direitos de imagem de atletas, ocasião em que conheci o atual C-Level do Rei do Pitaco”.
Deste networking, e mantendo contato com o executivo da empresa, em meados de 2024, por meio dele, ficou sabendo do processo seletivo para uma vaga júnior em compliance. Vitória relata este começo com entusiasmo: “Como meu interesse pelo setor já havia sido despertado, me candidatei, participei do processo seletivo e deu certo”! É claro que ele tem uma forte atração pela indústria e se concentra em desafios e a vontade de mostrar para o público em geral que o compliance sério existe no setor.
Ela explica que é possível se dedicar e construir um programa de compliance que priorize o trabalho relacionado à prevenção à lavagem de dinheiro, com a construção de sistemas internos e a realização das devidas comunicações ao COAF; à manipulação de resultados em eventos esportivos, sendo atentos aos alertas e realizando as comunicações à SPA; e, sobretudo, às ações de Jogo Responsável, pensadas diariamente para além do discurso.
AMBIENTE MASCULINO PREDOMINANTE E DIFERENÇA SALARIAL
No quesito sobre a crescente integração de minorias em empresas de jogos, Vitória afirma: “Ao tratar da equidade de gêneros, vemos um ambiente predominantemente masculino e, quando nos transportamos para o setor de jogos e apostas, isso se intensifica ainda mais”.
Ela analisa questões como os salários e postos de liderança também: “Além das disparidades salariais, que são realidade para muitas de nós, há também o pouco acesso às mesas de discussão e aos cargos de liderança”. Mas vê uma luz no final do túnel: “Contudo, o espaço para o debate e a presença de outras profissionais ocupando essas posições nos inspiram e podem fazer com que esse cenário mude aos poucos”. Então, completa: “Inclusive considerando pesquisas relacionadas ao público, o produto é majoritariamente masculino, o que faz com que a gestão enxergue a empresa dessa forma. Assim, nosso desafio é maior, mas não impossível”.
Quanto a temas como equidade de gênero, paridade salarial e igualdade de acesso a cargos de gerência, ela responde: “Ainda temos um longo caminho a percorrer, e a desigualdade é evidente, sobretudo quando olhamos para a diretoria e para os cargos de liderança”.
Ela considera que é importante não ter medo de reconhecer e vivenciar essa desigualdade, pois somente a partir dessa consciência é que pode ser transformada e, um dia, crescer e conquistar espaço de forma legítima.
Muito sabiamente e de maneira humilde, Trentin agrega: “Meu conselho às jovens que estão iniciando suas carreiras é que não tenham medo de colocar a mão na massa, que estejam abertas a aprender continuamente e que não encarem como demérito ocupar, em um primeiro momento, posições mais operacionais ou de base. Esses espaços são fundamentais para a construção do conhecimento, para o desenvolvimento da visão crítica e para a criação da ‘casca grossa’ necessária para os desafios do mercado”.
A este propósito, ela revela que divide a liderança do Grupo Pitaqueens com Caroline Araújo Pereira. O grupo foi criado em 2021 com a ideia de propagar discussões sobre equidade de gênero, salários, mulheres na liderança e desafios corporativos.
COMO ME VEJO E COMO ME VEEM
Na autoanálise da executiva, sobre quais são suas qualidades profissionais, ela reflete: “Me considero uma profissional transparente na relação com meus pares e com a liderança, sempre aberta ao diálogo e à construção conjunta. Tenho um perfil ‘mão na massa’; não faço distinção de tarefas e estou disposta a atuar em qualquer frente que contribua para o resultado. Além disso, tenho um senso de pertencimento e compromisso com o negócio”.
Como ela acredita que seus colegas de trabalho a descreveriam? Vitória demonstra maturidade em sua resposta: “Como uma pessoa responsável e empática. Procuro manter sempre a postura profissional e a prioridade no trabalho, sem deixar de considerar a individualidade, a história e o contexto de cada pessoa que cruza o meu caminho”. Quanto aos aspectos de sua personalidade que seus amigos e familiares destacam, ela admite: “Costumo ser engraçada com quem tenho intimidade e gosto de novidades. Tenho curiosidade por novos hobbies, estilos diferentes e não vejo problema algum em mudar de opinião ao longo do tempo”.
EQUILÍBRIO, VIDA PROFISSIONAL E UM OBJETIVO
Mas como esta jovem executiva equilibra o seu tempo entre sua vida pessoal e sua vida profissional? Que hobbies e interesses têm fora do escritório? Ela detalha que se dedica bastante ao crescimento profissional e entende a importância de ter momentos “off”. Praticou judô por muitos anos e pretende retomar a atividade.
Além disso, gosta muito de viajar e de passar tempo com amigos e família. Quanto as suas perspectivas para os próximos dois anos, Schelbauer Trentin pontua que pretende iniciar um mestrado.
Em uma linha
Um livro: “Persépolis” (Marjane Satrapi, 2000)
Um filme: “La La Land” (Damien Chazelle, 2016)
Música favorita: ‘It Ain’t Over Till It’s Over’, de Lenny Kravitz
Um perfume: ‘The Only One’, by D&G
Um lugar onde moraria: Rio de Janeiro (Brasil)
Um lugar para passar férias: Rio de Janeiro (Brasil)
Um restaurante: ‘Make Hommus. Not war’ (São Paulo, Brasil)
Uma comida: feijão
Uma bebida: água de coco
Um esporte: judô
Um professor ou referência em sua vida: Neury, meu sensei de judô










