
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
O Brasil entrou em 2026 com um cenário totalmente diferente dos anos anteriores quanto à regulamentação dos jogos e apostas no país. Qual a sua análise comparativa da BiS SiGMA em épocas ainda de mercado brasileiro não regulamentado com o evento que aconteceu nessa edição em São Paulo?
Acho que um dos aspectos mais relevantes que pudemos destacar foi a presença de profissionais altamente qualificados participando de painéis, contribuindo com conteúdo tanto de fora do Brasil quanto do próprio país, exportando conhecimento para outras regiões do setor, onde quer que ele se expanda. Esse foi um dos pilares da BiS SiGMA South America: conteúdo. Além disso, havia empresas expondo suas soluções e terminais de VLTs, o que já demonstra uma tendência muito importante para a chegada, esperamos, dos jogos de azar presenciais no Brasil.
Que números relativos à feira você pode confirmar?
Nós temos dados do ano passado e dos anteriores que apontam uma tendência sim de crescimento no número de participantes. Então a gente tem uma estimativa de bater ou passar dos 15 mil esse ano. Acontece que o nosso foco nunca é o crescimento em número de pessoas, e sim em qualidade. Então vamos atrás de trazer pessoas engajadas com o setor, tanto a favor como contra, para o debate ser bem plural, bem equilibrado. Assim não passa a ser uma coisa tendenciosa. Queremos ter a discussão sempre em aberto. Tivemos 400 ou mais expositores e patrocinadores do evento que colaboraram para transformar a BiS SiGMA no maior evento da América Latina.
Como o evento enxergou e se organizou para dar espaço às executivas, desde o ciclo de palestras, na condução de conferências, lugar para empresárias que dirigem firmas importantes do setor, relacionados à questão de gênero e igualdade de condições?
Existem dois pontos interessantes que eu gostaria de deixar claro. Um, não tivemos agenda em prol de feminismo, nem machismo. Esses ismos não aconteceram. Isso é mérito dessas mulheres que hoje estão à frente de grandes empresas. Nós tivemos nas nossas empresas executivas, é muito equilibrado o quadro, mas não é porque a gente vai atrás. Isso acontece de forma muito natural. Não é como em outros lugares. O mundo do jogo, de fato, tem essa tendência machista em outros países. Eu concordo. Mas no Brasil é uma coisa muito natural porque a mulher já tem o seu espaço. Ela não precisa correr atrás para conquistá-lo. Sou de uma época que eu ouvia a minha mãe falar, ela é médica, que enfrentou barreiras para se tornar médica. Hoje em dia, já não existem mais essas barreiras, então eu não tenho nenhuma preferência. O que a gente gosta é de gente competente e a indústria tem muita mulher, muito homem, tem muita gente, ser humano competente.
Na sua opinião, qual o futuro dos jogos e apostas no Brasil? Há algum mercado fora do país que possa ser comparado ao do Brasil no processo da regulamentação? Qual o papel do evento nos anos vindouros?
Eu imagino que comparações, especialmente com outros países, fica um pouco complicado porque são culturas diferentes e tudo mais. Porém, contudo, nós temos, sim, alguns bons exemplos que trazem a experiência lá de fora do que deu certo, do que não deu certo, do que a gente pode utilizar como referência para melhorar a nossa indústria no Brasil. Mas o Brasil já é uma das indústrias mais bem regulamentadas. Nós temos uma legislação muito forte e foi um trabalho árduo, feito ao longo de alguns anos e eu acredito que nós já estamos num patamar de posição importante em relação aos outros players do mercado global.








