
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Conte um pouco sobre sua trajetória profissional de êxito e reconhecimento.
Minha trajetória foi construída na interseção entre direito, tecnologia, regulação e negócios. Trabalhei com mercados regulados (ex.: ANS e BACEN) e com temas de alta complexidade regulatória, especialmente Privacidade e Proteção de Dados Pessoais (P&PD), Governança e Compliance, sempre com foco prático de transformar obrigação legal em vantagem competitiva. Também teve muita dedicação e estudo sobre P&PD antes de existir a Lei Geral de Proteção de Dados, a partir de meados de 2016 e acompanhando as principais tendências normativas globais, e sob a premissa de que privacidade não é burocracia, é um ativo de negócio. Hoje, como Head de Jurídico, Regulatório e DPO da Blaze, atuo de forma integrada ao negócio, garantindo crescimento sustentável, conformidade regulatória, proteção e segurança efetiva do usuário que, para nós, é o centro de tudo.
Quais ainda são as lacunas e os desafios do compliance no setor de apostas brasileiro?
O mercado regulado é o ponto de partida, não a linha de chegada. Vejo quatro desafios críticos: 1) qualificação da cadeia de suprimentos: os parceiros precisam estar no mesmo nível de compliance da Blaze. Mas, infelizmente, em geral, o KYP ainda é falho. Não basta a operadora ser complacente se o PSP ou o Afiliado, por exemplo, não seguem o mesmo rigor; 2) privacidade como diferencial: com a maturidade da LGPD, o desafio é o ‘Privacy by Design’ real, protegendo o usuário de vazamentos em um setor que é alvo constante de ataques cibernéticos. Além disso, alto volume de dados, incluindo sensíveis, exige governança madura, segurança robusta e accountability real, não apenas formal; 3) fronteira PLD/Jogo Responsável: a lacuna atual reside na integração tecnológica. Precisamos de algoritmos e procedimentos que identifiquem fraudes e comportamentos de risco em tempo real, indo além do simples preenchimento de formulários e transformando dados em proteção efetiva ao apostador; e 4) convivência com o mercado ilegal e seus desdobramentos: ainda há concorrência desleal de bets não licenciadas, o que distorce o ambiente, diminui faturamento daquelas que trabalham em conformidade com as normas brasileiras e, por consequência, impacta na tributação (que já está longe de ser baixa ou simples), assim como gera riscos ao consumidor. Em resumo e concatenando tudo, o maior desafio é sair do compliance reativo e avançar para um compliance estratégico, integrado ao negócio e orientado por risco.
Há pouco mais de um mês, foi inaugurado o novo escritório da Blaze em São Paulo, demonstrando o franco crescimento da empresa no Brasil. Quais são os diferenciais e estratégias da empresa que explicam esse sucesso?
A inauguração do escritório da Blaze em São Paulo reflete uma estratégia clara: presença local forte, operação regulada e compromisso de longo prazo com o Brasil. Nossos diferenciais passam por: compliance by design desde o início da operação; forte investimento em governança, tecnologia e segurança, sem esquecer da tríade: pessoas, processos e sistemas; operar rigorosamente dentro das normas da SPA/MF e demais autarquias envolvidas no nosso ecossistema desde o dia zero e, se possível, ir além; decisões baseadas em fatos, dados e gestão de risco, mas sem abrir mão da inovação e da boa experiência em nosso plataforma; equipes locais qualificadas, com autonomia e alinhamento global, tropicalizando sua execução e tomando por base o entendimento sobre a cultura do apostador brasileiro, oferecendo suporte humano e transparente; e foco absoluto em jogo responsável, proteção do usuário e transparência.
Quais os planos da companhia para este novo ano? Você é capaz de identificar alguma tendência importante no geral para o mercado?
Para 2026, esperamos um mercado mais maduro, competitivo e exigente, onde sobreviverão as operadoras que realmente entenderem regulação, governança e UX. Nossa aposta é clara: regulação não é custo, é vantagem competitiva. Quem compreender isso liderará o mercado nos próximos anos. Temos a expectativa de ser uma das marcas mais seguras e confiáveis do país e, dessa forma, conseguir expandir parcerias estratégicas. Posso destacar algumas tendências claras que prevejo para o futuro: a) aumento da fiscalização e enforcement; b) maior sofisticação em PLD, Antifraude e Proteção de Dados; c) consolidação e afunilamento de players (e torcendo para que os mesmos, além das associações criadas para representar o segmento, se tornem mais coesos e unidos); d) valorização de marcas confiáveis, transparentes e responsáveis; e) uso crescente de tecnologia e automação para compliance e monitoramento; f) tecnicidade e segmentação da publicidade para atender restrições regulatórias, e g) monitorar o jogo problemático utilizando IA, antes mesmo que isto se torne um problema. Quem não tiver uma estrutura de dados robusta e ética ficará para trás.







