
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Como você descreveria sua trajetória na indústria? Explique este seu novo rol profissional e como conduz a equipe que ela compõe.
Minha trajetória sempre esteve ligada à construção de soluções em ambientes desafiadores. Quando assumi a liderança do Betmais, enfrentei um mercado altamente competitivo, com players maiores, e mesmo assim conseguimos crescer de forma sustentável, priorizando tecnologia, proximidade com o cliente e uma operação enxuta e eficiente. Em 2024, com a fusão com a Casa de Apostas, assumi a posição de Chief Innovation Officer, com a missão de estruturar um novo ciclo de crescimento a partir da inovação, não só tecnológica, mas também estratégica e cultural. Hoje, meu foco está em aproximar a equipe da inteligência artificial, tornando essa tecnologia parte natural do dia a dia. Acredito que familiaridade gera autonomia. A partir disso, conseguimos direcionar nossos esforços para a criação de produtos, ferramentas e assistentes virtuais que realmente impactem a operação e melhorem a relação com os nossos clientes. Mais do que adotar inovação, buscamos incorporá-la de forma estratégica, com propósito e clareza de direção.
A IA vêm revolucionando vários setores, e no segmento iGaming não é exceção. Como vê a utilização destas tecnologias e os impactos a médio e longo prazo no mercado de apostas?
A inteligência artificial tem o potencial de transformar o setor de apostas de forma profunda e duradoura. No curto prazo, já vemos ganhos claros em automação de processos, personalização de campanhas e detecção de fraudes. Mas o verdadeiro impacto virá da capacidade de entender o comportamento dos jogadores em tempo real e adaptar a experiência com base nisso, seja com ofertas mais relevantes, jornadas mais fluídas ou assistentes virtuais que realmente entendem as necessidades do usuário. A médio e longo prazos, acredito que a IA será o motor de uma nova era no iGaming: mais eficiente, mais segura e muito mais centrada no cliente. Plataformas que souberem usar bem os dados para prever riscos, antecipar demandas e criar conexões mais humanas por meio da tecnologia serão as que vão se destacar. Não se trata de substituir o fator humano, mas de potencializá-lo com inteligência e escala.
Quais as estratégias de impacto que a operadora lança mão para diferenciar-se dos concorrentes?
Acreditamos que a diferenciação real vem de consistência, não de promessas. Por isso, nossa principal estratégia é entregar uma experiência transparente, confiável e sem atritos, do primeiro contato ao saque. Vivemos agora um momento de transição importante com a chegada da regulamentação, que exige não apenas adaptação operacional, mas também uma mudança na forma como o público se relaciona com o jogo. Por muito tempo, o discurso em torno das apostas foi distorcido por promessas exageradas e pouco realistas. Nosso papel agora é contribuir para uma nova narrativa: mais responsável, mais consciente e mais alinhada com o entretenimento de verdade. A evolução disso, sem dúvida, está na personalização. Colocamos esforço em entender o comportamento do jogador para oferecer experiências mais relevantes, humanas e sustentáveis. Nossa visão é de longo prazo: queremos construir relacionamento, não dependência.
Como vê o futuro do mercado de jogos regulado no país, as tendências que podem surgir neste processo e os planos da empresa neste novo cenário?
O futuro do mercado regulado no Brasil dependerá da nossa capacidade, como setor, de reconstruir a confiança do público e alinhar nossas práticas aos novos padrões de responsabilidade e transparência. A regulamentação é uma oportunidade, não apenas para organizar a indústria e coibir práticas clandestinas que colocam o jogador em risco, mas para elevar o patamar do jogo como forma legítima de entretenimento. Acredito que veremos uma consolidação natural do mercado, com operadoras mais preparadas se destacando não apenas pelo investimento em mídia, mas pela qualidade da experiência que entregam. Na Casa de Apostas, estamos focados em construir uma operação sólida, sustentável e coerente com esse novo momento. Isso envolve decisões conscientes, investimentos em tecnologia e, principalmente, respeito à inteligência do jogador.







