
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
A partir de sua trajetória inicial no iGaming até chegar ao cargo atual, qual a retrospectiva que você faz de sua carreira?
Trabalho na indústria de apostas há bastante tempo. Para ser exato, desde outubro de 2003, mais de 22 anos. Sou oriundo da operação de loteria estadual no Rio de Janeiro. De 2003 a 2021, fui Head de Marketing da Hebara, que foi por décadas a maior operadora privada de loterias estaduais no Brasil. Em 2022, ingressei na NSX, antes da fusão com a Flutter, atuando inicialmente em growth marketing e, depois, em marketing digital. Mesmo antes da regulamentação formal das apostas, sempre tive uma preocupação constante com marketing responsável, mantendo diálogo próximo com o time de compliance para alinhar campanhas às boas práticas. No fim de 2024, migrei para o time de Compliance para focar na conformidade das ações de comunicação, marketing e publicidade, uma função criada estrategicamente para a regulamentação que ia entrar em vigor. Hoje, atuo para garantir não apenas o cumprimento das regras, mas para colocar o jogo responsável no centro das estratégias de marketing. No final de 2025, ampliei minha atuação para outras frentes de jogo responsável, refletindo o compromisso da Flutter Brazil em tratar o tema como prioridade estratégica.
Quanto ao jogo responsável, você acredita que publicidade e a comunicação nas campanhas estão alinhadas às melhores práticas e também ao novo cenário regulamentado das bets?
Após um ano de mercado regulado, eu esperava um nível maior de maturidade da indústria em comunicação responsável. Ainda vemos operadoras, especialmente menores, testando limites regulatórios, o que é prejudicial para um setor que já carrega um histórico de desgaste reputacional. Esse tipo de comportamento aumenta a insegurança jurídica e pode levar a regulações ainda mais restritivas no futuro.
No caso da Flutter, qual a estratégia e diferenciais que a empresa possui referente ao jogo responsável e aspectos regulamentares?
Na Flutter Brazil, nossa atuação não é balizada pelo que a concorrência faz. Seguimos a regulamentação e, principalmente, nossa cultura interna de jogo responsável. Não testamos limites para obter ganhos de curto prazo. Enxergamos o mercado como uma maratona, não uma corrida de 100 metros. Acreditamos que só se sustenta no longo prazo quem trata o jogo responsável como um valor real, e não apenas como obrigação regulatória.
Você identifica alguma tendência que aponte qual o futuro regulatório do marketing de apostas?
O grande desafio ainda é a presença relevante de operadoras ilegais, que não seguem regras e continuam promovendo mensagens agressivas de dinheiro fácil, altos ganhos e falsa sensação de controle, sem qualquer proteção a menores ou vulneráveis. Isso afeta a percepção pública, que muitas vezes não diferencia operadoras legais das ilegais, e quem paga essa conta são as operadoras reguladas. Hoje, a regulação brasileira é robusta e alinhada às melhores práticas internacionais. O futuro regulatório vai depender da capacidade do mercado de corrigir esses desvios. Caso contrário, veremos mais restrições, que podem acabar empurrando consumidores para o mercado ilegal. Na Flutter Brazil, acreditamos que o total compliance é um diferencial competitivo, e quem não entender isso dificilmente se sustentará no longo prazo.







