
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Você realizou recentemente uma ampla radiografia nacional do iGaming brasileiro, contendo insights considerados decisivos para um mercado estimado de R$12 bilhões. Conte como surgiu esta ideia, o processo e desenvolvimento, e a relevância que tal investigação tem para o segmento.
A ideia surgiu da minha necessidade de explicar as particularidades das regiões do Brasil no mercado de iGaming. Eu possuo experiência com times internacionais e muitas vezes percebi a dificuldade deles de entender o quão grande e complexo é o Brasil. Eles têm muita dificuldade de entender que existem vários países diferentes dentro do Brasil e que estratégias genéricas não vão funcionar para todas as regiões. Comecei a usar a plataforma Adapta para desenvolver e estratificar a pesquisa, que se tornou tão interessante que decidi compartilhar em posts no LinkedIn. Alguns colegas sugeriram criar um único documento com toda essa pesquisa. Isso me mostrou a relevância desse estudo para a indústria. A intenção é fornecer insights estratégicos para operadoras e investidores, tanto nacionais quanto internacionais, com dados detalhados sobre o comportamento dos jogadores e as dinâmicas regionais.
Quais os diferenciais mais marcantes que você identificou territorialmente e respectivas características de região para região, e os perfis que mais lhe chamaram a atenção em toda a investigação?
Não me surpreende que o Sudeste concentra quase 50% do mercado nacional, um dado de extrema relevância para a indústria. O estudo revela que o apostador sudestino não é um perfil único, e operadoras que personalizam suas ofertas para micro segmentos alcançam um ROI 43% superior na região. O Nordeste surge como a nova fronteira das apostas online no Brasil, representando 26,47% do mercado e exibindo o crescimento mais rápido, com um grande potencial e Custo de Aquisição de Clientes (CAC) eficiente. A região Sul, com 11,25% dos apostadores esportivos, destaca-se pelo perfil calculista e leal. O estudo indica que o apostador sulista é mais sensível à regulamentação e prioriza odds de valor em vez de promoções. O Centro-Oeste, com 7,94% dos apostadores esportivos, sobressai-se pelo maior ticket médio nacional, de R$347/mês. O estudo identifica três perfis distintos na região: o apostador do agronegócio, o apostador das capitais e o apostador de fronteira. A região Norte, com 7,41% dos apostadores esportivos, apresenta o menor CAC do Brasil e um notável potencial de crescimento.
A partir deste estudo, poderia indicar algumas tendências que foram identificadas e movimentações de mercado que sejam relevantes para entender e dar uma perspectiva do segmento no Brasil?
O cenário é dinâmico e promissor, com um potencial de crescimento significativo. A análise minuciosa de dados demográficos, comportamentais, transacionais e competitivos, juntamente com as tendências regulatórias, revela insights essenciais para operadoras e fornecedores que desejam prosperar nesse ambiente em constante transformação. O estudo enfatiza a importância de reconhecer as singularidades desse mercado para alcançar o sucesso. A principal conclusão do relatório é a urgência em abandonar estratégias homogêneas e adotar abordagens regionalizadas. O Brasil, visto como um mosaico de cinco “Brasis” com características culturais, socioeconômicas e comportamentais distintas, exige soluções personalizadas. Ignorar essas nuances pode levar à perda de oportunidades valiosas e ao enfrentamento de desafios desnecessários, mesmo diante de um mercado atual de R$12 bilhões e projeções que apontam para R$19 a 21 bilhões em 2026. Para se destacar nesse cenário, é fundamental investir em segmentação estratégica, personalização de produtos e adaptação das estratégias de marketing de acordo com as necessidades regionais. Operadoras devem otimizar canais de aquisição, fortalecendo a retenção por meio de programas de fidelidade e monitoramento contínuo das tendências regulatórias e comportamentais dos consumidores. Essa abordagem regionalizada, aliada a uma constante vigilância das mudanças do mercado, é a chave para captar uma parcela significativa dos novos usuários e construir relacionamentos duradouros com os jogadores brasileiros.
Você está preparando algo mais para os próximos meses que indique uma periodicidade deste estudo, a nível de atualização para o mercado?
Em relação a esse estudo, especificamente, ainda não sei, provavelmente quando completarmos 12 meses de regulamentação eu atualize esses dados. Porém, por agora, tenho vontade de pesquisar mais sobre alguns assuntos paralelos, como Jogadores de Apostas Esportivas x Jogadores de Cassino Online, por exemplo. Ou quem sabe algo mais voltado a Produto x Aquisição x CRM. Penso também no mercado internacional, trazer dados relevantes e entender como eles podem ser aplicados no Brasil. Estou aberto a sugestões dos colegas dessa indústria, me escrevam no Linkedin. A grande motivação desse estudo foi uma demanda pessoal de entender um pouco mais em números as regiões do Brasil. Então, sempre tenho algo que estou buscando informações, tentando entender melhor para aplicação direta no meu trabalho.
Diante deste amplo trabalho sobre o mercado iGaming brasileiro, qual sua expectativa quanto ao futuro do setor para este ano e os vindouros?
Algo que não está incluído neste estudo são as casas de apostas ilegais. Elas oferecem preços baixos e riscos elevados, prejudicando a credibilidade do setor. Isto deve ser combatido com o envolvimento de todos na indústria. Em relação ao mercado legal, eu destacaria a hiper personalização regional, campanhas regionalizadas já mostram ROI superior às genéricas. Exemplos disso são promoções alinhadas a eventos regionais e influenciadores com forte identidade local. Pessoalmente, acredito que possamos ainda ter mais ferramentas avançadas de jogo responsável, também novas limitações publicitárias em horários específicos e maiores exigências de compliance e KYC. O Brasil é um mercado único que demanda compreensão profunda de suas particularidades. É preciso também combatermos as fake news do setor para o grande público.








