
O jogo online continua a registar uma tendência ascendente em Portugal, de acordo com dados recentemente partilhados pelo regulador local, o Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ), que abrange as principais estatísticas do mercado local de jogos presenciais e iGaming no segundo trimestre deste ano de 2024.
Tal como nos trimestres anteriores, ainda existem diferenças claras nas receitas entre os bons números do jogo online e as cifras não tão encorajadoras do jogo físico. Vejamos aqui os indicadores mais importantes.
A EXPLOSÃO DO ONLINE NÃO PARA
Em 30 de junho de 2024, as 17 entidades autorizadas a exercer a atividade de exploração de jogos e apostas online em Portugal eram detentoras de 30 licenças (13 licenças para exploração de apostas desportivas à cota e 17 licenças para exploração de jogos de fortuna ou azar).
Durante o 2º trimestre de 2024, a atividade de jogos e apostas online gerou €261,8 milhões de receita bruta. Do total, 60,5% foi resultado de apostas em jogos de fortuna ou azar e 39,5% de apostas desportivas à cota. Relativamente ao período homólogo de 2023, registou-se um crescimento da receita bruta em €55,9 milhões (mais 27,1%).
A receita bruta de jogos de fortuna ou azar no 2T 2024 foi de €158,5 milhões, com um aumento de €36,5 milhões (mais 29,9%). Quanto as apostas desportivas à cota, a receita foi de €103,3 milhões, superior em €19,4 milhões (mais 23,1%) face ao mesmo período de 2023.
Em relação ao volume de apostas, foi de €462,3 milhões para as apostas desportivas (mais 29,3% vs. 2T 2023) e de €1.126,1 milhões para os jogos de fortuna ou azar (mais 34,7% comparativamente ao 2º trimestre de 2023).
Segundo as modalidades e tipos de jogos, uma vez mais, o Futebol foi a modalidade desportiva onde se verificou o maior volume de apostas, representando 69,3% do total de apostas desportivas. O Basquetebol e Ténis corresponderam, no seu conjunto, a 26,7% do total de apostas desportivas no trimestre em análise (6,8% e 19,9%, respetivamente). Ao nível das competições desportivas, o Campeonato Europeu de Futebol UEFA Euro 2024 representou 19,2% do volume de apostas efetuadas na modalidade em causa, seguido das competições Primeira Liga (Portugal) e da Premier League (Inglaterra).com 7,9% e 6,1% respetivamente. No Ténis, o torneio Roland Garros Open foi a competição objeto de maior volume de apostas, registando-se 19,9% do total das apostas em Ténis. No Basquetebol, a competição norte-americana NBA foi a que registou maior volume de apostas, com um 46,7% do total de apostas nesta modalidade.
As apostas em Jogos de Máquinas foram 82,3% do total de apostas em jogos de fortuna ou azar online. Por seu lado, as apostas em Roleta Francesa representaram 6,5% do total de apostas, seguidas das apostas em Blackjack/21 (com 4,9%), em Banca Francesa (com 4,6%) e em jogos de Poker “não bancado” e em “modo de torneio” (no seu conjunto, 1,7%).
Registos de jogadores
No conjunto das 17 entidades exploradoras e durante o 2º trimestre de 2024, o número de registos de jogadores situou-se em 4,43 milhões, valor superior em 3,5% face ao trimestre anterior, em resultado de 287,6 mil novos registos e do cancelamento de 136,8 mil registos de jogadores.
Os registos de jogadores com idades compreendidas entre os 25 e 34 anos representavam, em 30 de junho de 2024, 34,5% do total, sendo 79,2% a proporção dos jogadores registados com idade inferior a 45 anos. Relativamente ao registo de novos jogadores, apurou-se que 80,3% tinham idade inferior a 45 anos, destacando-se o registo de jogadores com idades compreendidas entre os 18 e os 24 anos, que representaram 34,1% do total de novos registos. Os distritos de Porto e Lisboa foram os que apresentaram o maior número de registos de jogadores (21,2% e 21,1% do total, respetivamente). Seguiram-se os distritos de Braga, Setúbal e Aveiro, que no seu conjunto totalizaram 24,7% do total de registos de jogadores.
Cerca de 0,2% dos jogadores registados residia fora de Portugal. Os registos de jogadores com nacionalidade portuguesa representavam, no 2º trimestre de 2024, 95,2% do total. De 4,8% restante, no que respeita a outras nacionalidades, destaca-se a nacionalidade brasileira com 51,6% do total de registos de jogadores com nacionalidade estrangeira. Cabo-verdianos, nepaleses e angolanos foram, no seu conjunto, 21,7% do total de registos de jogadores estrangeiros. O restante se completa com 26,7% de outras nacionalidades.
Prática de jogo por categoria de jogos e apostas
Durante o 2T 2024, verificou-se em 1,15 milhão de registos de jogadores a realização de, pelo menos, uma aposta em jogos de fortuna ou azar e/ou em apostas desportivas à cota online, traduzindo-se num aumento de 28,8 mil comparativamente ao trimestre anterior e de 263,5 mil face ao período homólogo.
Do número total de registos de jogadores onde se observou a realização de apostas no 2º trimestre de 2024, um 26,0% apostou exclusivamente em desportos à cota, 30,8% jogou somente em jogos de fortuna ou azar e 43,2% nas duas categorias de jogo (apostas desportivas à cota e jogos de fortuna ou azar).
Em 30 de junho de 2024, no conjunto das 17 entidades exploradoras, encontravam-se autoexcluídos da prática de jogos e apostas online 256,9 mil registos de jogadores8, mais 20,8 mil que no final do trimestre anterior (representando um aumento de 8,8%). Esta variação trimestral é explicada pela autoexclusão da prática de jogos e apostas online de 47,3 mil registos de jogadores e pelo término da autoexclusão de 26,6 mil.
CRESCEM JOGOS NÃO BANCADOS E OS PRACTICADOS EM MÁQUINAS AUTOMÁTICAS
A atividade do jogo praticado em casinos e sala de máquinas em Portugal produziu, no segundo trimestre de 2024, cerca de €63,7 milhões de receita bruta, o que representa um aumento de 1,3% face ao trimestre anterior, e uma redução de 4,5% face ao período homólogo de 2023.
Para a variação negativa de 4,5% da receita global do jogo praticado em casinos e sala de máquinas, em muito afetou a redução do jogo bancado, responsável por cerca de 19,95% do total da receita bruta. O jogo não bancado e o praticado em máquinas automáticas, responsáveis por 80,05% do total da receita, viram um aumento de receita de 12,1% e 0,8%, respetivamente.
Por tipo de jogo, no segundo trimestre de 2024, e comparativamente ao período homólogo de 2023, verificou‐se uma quebra da receita bruta global de 4,5% em resultado da queda de receita do jogo bancado de cerca de 21,7%, não compensada pelo aumento de 0,8% do jogo praticado em máquinas automáticas.
No seu conjunto, para a variação negativa de 19,9% no valor da receita bruta dos jogos bancados e não bancados, em muito incidiu a quebra dos jogos Bacará Ponto & Banca, Black‐Jack 21 e Roleta Americana, con baixas de 32,8%, 34,9% e 18,1%, respetivamente.
Por oposição, os jogos de Poker viram a receita acrescentar, no seu conjunto, em 66,3%, e do jogo Banca Francesa, cuja receita subiu 7,1%.
Os jogos que observaram uma variação negativa da receita representam, no seu conjunto, cerca de 74,8%, do total da receita bruta, por oposição aos jogos cuja receita obteve uma variação positiva que representam, no seu conjunto, 25,2%.
Atividade do jogo praticado em salas de bingo
A atividade do jogo do bingo fora dos casinos, no segundo trimestre de 2024, apresentou uma variação negativa quanto à receita bruta gerada de 6,1% quando comparada ao trimestre anterior, e um aumento de cerca de 0,6% quando comparada com o período homólogo de 2023.
A PREOCUPAÇÃO DA APAJO
Paralelamente a estes indicadores, foi conhecido um estudo anual da Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online (APAJO) sobre os hábitos de jogo online dos portugueses.
O relatório aponta que a maioria dos apostadores gasta menos de €50 por mês em jogo online e, ainda que metade dos jogadores online registados em Portugal utiliza sites ilegais, há uma tendência de reforço dos jogadores que apenas usem operadoras licenciadas.
Respeito às ferramentas de jogo responsável, 78,2% dos jogadores diz ter conhecimento da existência das mesmas nas operadoras licenciadas e 43,3% afirma já as ter utilizado ou estar atualmente a utilizar. Quer o conhecimento, quer o recurso a estas ferramentas é mais elevado entre os mais jovens (18 aos 35 anos). Entre as diferentes hipóteses, os limites de aposta (55%) e de depósito (45,5%) são os mais utilizados.
Ricardo Domingues, presidente da APAJO, assegurou: “As operadoras licenciadas, os legisladores e o regulador SRIJ têm que apontar a uma maior preponderância do jogo online exclusivamente legal, diria que nunca inferior a 80% dos utilizadores (hoje esse número não ultrapassaria 60%). A APAJO tem procurado combater o jogo ilegal, apresentando no último mês várias queixas-crime contra influencers que publicitam plataformas de jogo ilegal. Do nosso lado, acreditamos que é possível num prazo relativamente curto elevar o jogo legal no país com as medidas certas de combate aos ilegais e a evolução dos produtos licenciados”.














