
Por Leticia Navarro, jornalista da G&M News.
Conte-nos um pouco sobre as origens do Instituto Zanotta e da Zanotta Consulting.
O Instituto Zanotta e a Zanotta Consultoria possuem um Programa de Aceleração de Startups e de Open Innovation, o LAB Zanotta. Em 2020, em plena pandemia, criamos a mentoria voluntária e gratuita e surgiram algumas fintechs, meios de pagamento que necessitavam de orientação jurídica em compliance para atender bets e a integração da solução do PIX. O advogado, meu sócio e irmão Dr. Renato Zanotta, iniciou nesse momento os primeiros contatos com o mercado, que evoluíram em aquisição de equity em algumas dessas empresas. Naquela época, modelamos uma plataforma de bet de impacto social por assinatura integrada à tipologia Play-to-Earn (P2E), onde os jogos permitem aos jogadores ganhar recompensas com valor real (como criptomoedas, NFTs ou tokens) enquanto jogam e assim serem monetizados. Isso aconteceu em 2022. O mercado não identificou potencial. Agora, pós regulamentação, acreditamos que existe potencial e atratividade para esse segmento. Estamos em fase de estruturação de um MVP e de captação de investidores. Em breve, lançaremos essa nova plataforma.
Você vai participar do G&M Eventos Brasil (7 e 8 de agosto de 2025, em São Paulo). Quais suas expectativas quanto a este encontro que reunirá os mais relevantes executivos e empresas do setor, com a proposta de analisar a situação atual do mercado de jogos e apostas na gigante sul-americana?
O G&M Eventos Brasil se apresenta com uma proposta muito importante. Serão discutidas questões regulatórias, governamentais, tributárias, institucionais e de negócios, o que imprime altíssimo nível para encontros e debates com os principais decisores do mercado brasileiro de bets. O mercado precisa dessa discussão setorial para diagnóstico, avaliação e definição de planos estratégicos de curto, médio e longo prazos, assim como todos os setores econômicos trabalham. Estou muito motivado com a oportunidade de mediar o painel “A Relação entre Bets e Bancos no Brasil: Impacto no Score Bancário dos Apostadores. O que Pode Ser Feito para Melhorar?”, com os bancos, meios de pagamentos, bets e representantes do Governo Federal. Nesta palestra, serão abordados temas como a necessidade de equilibrar o ecossistema de apostas, as possíveis parcerias entre operadoras e bancos, a educação financeira dos usuários e o caminho a um modelo sustentável, entre outros. A mitigação das tensões entre esses agentes e a defesa dos interesses da população brasileira que aposta precisam ser analisados, entendidos, discutidos segundo um parâmetro de equilíbrio de mercado que ainda está em construção e para ser implementado. A primeira fase entre 2018 e 2024, foi a fase da liberdade total para as operadoras atuarem sem cobrança de impostos. Agora, com apenas 7 meses de regulamentação, as relações de mercado precisam encontrar uma direção rumo ao equilíbrio econômico-financeiro-tributário-social para seguir em desenvolvimento sustentável para a sociedade brasileira. Tenho certeza de que das discussões que acontecerão neste importante evento da G&M News nos dias 7 e 8 de agosto no Hotel Unique e nos escritórios da Oracle Brasil, o mercado poderá encontrar excelentes conclusões e soluções para esses desafios.
Qual o cenário possível que você vislumbra do mercado de jogos e apostas no Brasil para o ano de 2026, dentro do novo ambiente regulamentado?
O mercado brasileiro deve ter cerca de R$300 bilhões de faturamento no ano de 2025 e a previsão para 2026 é de crescimento, mas acredito que assistiremos a um processo de seleção mercadológica de players, com uma redução e até mesmo união entre grupos menores para sobreviverem. O número de bets autorizadas passa de 120 licenças com direito a três sites cada uma. A competição pela captação de apostadores com valor médio do CAC: R$300 a R$800 por cliente ativo (dependendo do canal de aquisição). A Média Global do CAC é de US$ 150 a US$ 500 por cliente (varia por região). Tomando-se por base apenas esse item, pode-se afirmar que o mercado necessita de muito profissionalismo e investimentos para manter as operações rentáveis, aliando-se a isso alto valor para obtenção da licença R$35 milhões e a carga total de impostos que pode chegar a 34%. Esse cenário indica uma tendência de diminuição dos concorrentes. Também há tensões políticas e econômicas pelo aumento dos gastos da população com apostas, principalmente a faixa da população mais numerosa e de menor renda. Então, muito provavelmente, o Banco Central e o Ministério da Fazenda devam implantar medidas restringindo esses gastos, o que pode impactar em uma redução do faturamento do mercado como um todo.







